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Uma Matriz nada sustentável

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Estes dias fui surpreendida com uma “propaganda” da ANEEL de em 2017 foi superada a meta de capacidade instalada para novas usinas na Matriz Elétrica brasileira, com um total de 6.635 MW. No mesmo artigo apareceu também o total instalado nos anos anteriores, que segue no gráfico a seguir:

Fonte: ANEEL. Elaboração Própria.

Atualmente, o Brasil possui um total de 4.899 empreendimentos em operação, totalizando 157.061 MW de potência instalada (BIG, ANEEL, consulta em 11/01/2018), dos quais quase 30.000 MW instalados de 2014 até 2018, ou seja, um acréscimo de aproximadamente 23,6% na matriz de geração brasileira.

Olhando no aspecto de consumo, neste mesmo período houve um crescimento de aproximadamente 6% segundo dados do Operador do Sistema. Esta porcentagem corresponde a aproximadamente 3,5 GWmédios.

Se o fator de produção desta nova geração é de 40% de sua capacidade instalada, estamos dizendo que a geração do país cresceu em torno de 12 GWmédios, ou seja, 4 vezes mais que o consumo neste período.

Uma vez que os preços de energia estão bastante pressionados, e em um passado recente nos deparamos com alguns períodos de preço teto, é no mínimo intrigante pensar que em um período em que a geração cresceu 4 vezes mais que o consumo estamos com problema de oferta.

Esta informação nos leva a pensar que (podem considerar um e/ou nos itens que seguem): a) os modelos que precificam o mercado podem estar “desregulados” e não enxergam o verdadeiro “risco de suprimento”, b) a forma que nossa Matriz está crescendo pode ser completamente insustentável e nos trará muita dor de cabeça ainda e c) as regras atuais não correspondem à necessidade do mercado de energia elétrica (p. ex. limite de contratação entre consumidores especiais e livres).

A volatilidade intrínseca à dependência de fontes renováveis sem grande capacidade de armazenamento de energia é o grande ponto a ser debatido por especialistas do setor. No fim das contas, o que é importante ressaltar é que este incremento de geração realizado nos últimos anos, significa bilhões de reais investidos, que não estão se revertendo em segurança de oferta muito menos em uma matriz mais competitiva.

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