*Produzido por Olívia Bulla

A terça-feira reserva uma série de eventos que concentram as atenções do mercado financeiro, no Brasil e no exterior. Enquanto monitoram as movimentações em Brasília, com o governo eleito iniciando a transição de poder, os investidores também acompanham a participação dos norte-americanos nas eleições legislativas. No front econômico, destaque para a ata da reunião de outubro do Copom e para o balanço trimestral da Petrobras.

O documento do Banco Central será publicado logo cedo (8h), mas não deve trazer novidades em relação ao comunicado que acompanhou a decisão da semana passada, de manter a taxa Selic em 6,50% pela quinta vez seguida. Com isso, o Copom deve apenas reforçar a percepção de “juros baixos por mais tempo”, diante da ausência de ameaças de curto prazo à inflação.

Já o resultado financeiro da estatal petrolífera deve ser robusto, em meio à valorização do dólar e do petróleo no trimestre passado, com a moeda norte-americana sendo cotada acima de R$ 4,00 e o barril do Brent superando a faixa de US$ 80 durante o período. Os números serão conhecidos antes da abertura do pregão doméstico e devem mostrar um salto no lucro líquido, com ganhos ao redor de R$ 9,5 bilhões entre julho e setembro deste ano.

Enquanto ainda digerem essas divulgações, os investidores também acompanham a participação do eleitor nas eleições legislativas nos Estados Unidos (midterm elections), que devem remodelar a composição do Congresso norte-americano. Pelas urnas, serão escolhidos todos os 435 deputados da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 assentos do Senado.

As pesquisas eleitorais sugerem que os democratas vão assumir o controle da Câmara, enquanto os republicanos devem manter o Senado, mas não se pode descartar surpresas. Se confirmado o cenário de um Congresso dividido, Trump pode ter maior dificuldade em aprovar projetos nos últimos dois anos de mandato, vendo-se obrigado a lançar mão de ordens executivas para governar.

No Brasil, o ambiente político também continua atraindo a atenção dos investidores. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, embarca hoje para Brasília, onde iniciará oficialmente à troca de comando, após encontro com o mandatário atual, Michel Temer, amanhã. Ontem, foram anunciados os 27 indicados que irão compor a equipe a transição de governo.

Não há nenhuma mulher entre os nomeados. Foram criados dez grupos de trabalho para dar início à redução significativa de ministérios. Embora o enxugamento da máquina pública seja um sinal importante, o principal gatilho para o desempenho dos ativos brasileiros é a formação da equipe econômica e as diretrizes que o governo adotará a partir de 2019.

Porém, a possibilidade de se votar a reforma da Previdência ainda neste ano é cada vez menor. Interlocutores avaliam que “o sentimento no Congresso” é de que a atual proposta não tem apoio e, se colocada em pauta até dezembro, pode se configurar em uma “primeira derrota” do novo presidente antes mesmo de ser empossado.

Além disso, o próprio Bolsonaro disse desconfiar do regime de capitalização proposto por Paulo Guedes. A equipe do próximo governo avalia diferentes propostas: as dos irmãos Arthur e Abraham Weintraub; a original do governo Temer e sua versão desidratada; a proposta de Armínio Fraga, coordenada por Paulo Tafner; e a de Fabio Giambiagi.

Segundo o presidente eleito, se não conseguir aprovar uma proposta de reforma neste ano, algum projeto será proposto no ano que vem. “Logo no começo.” Com isso, outras medidas, como a autonomia do Banco Central, podem entrar em discussão até o fim de 2018. Mas ainda não há nada na agenda do Congresso.

Entre os indicadores econômicos, o calendário externo traz também o relatório Jolts sobre o número de vagas de emprego disponíveis nos EUA em setembro (13h). Pela manhã, saem dados de atividade no setor de serviços na zona do euro no mês passado, além da inflação ao produtor na região da moeda única um mês antes.

À espera dos eventos do dia, os mercados internacionais exibem um desempenho misto. As principais bolsas asiáticas encerraram a sessão sem um rumo único, com Xangai no vermelho (-0,2%), enquanto Hong Kong (+0,4%) e Tóquio (+1,1%) subiram. Em Wall Street, os índices futuros das bolsas estão em alta, sinalizando uma abertura positiva na Europa.

Já o dólar e o juro projetado pelos títulos norte-americanos (Treasuries) estão estáveis. Entre as moedas, destaque para a libra esterlina, que aguarda avanço nas negociações em torno do Brexit, e para o dólar australiano, que se segura após a decisão do BC local (RBA) de manter a taxa básica de juros. O petróleo recua, caminhando para o sétimo dia seguido de perdas.

* Olivia Bulla é jornalista e especialista em economia e mercado financeiro. É #5 Top Voices do LinkedIn, com quase 700 artigos publicados e tem um blog A Bula do Mercado.


 

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