História do Dia

A recente escalada do dólar, seguido pela greve dos caminhoneiros, e a elevação do preço dos combustíveis durante a greve são componentes suficientemente explosivos para sinalizar uma alta da inflação para junho e meses subsequentes. Há, entretanto, uma outra variável igualmente importante, que em nossa opinião está sendo pouco considerada nas projeções do mercado financeiro e que merece uma análise mais profunda por parte dos economistas: Tarifas de Energia.

Se em 2017 as tarifas de energia pouco impactaram a inflação registrada pelo IPCA (+2,95%) – a energia elétrica subiu 10,35% no ano e contribuíram com 0,35% no IPCA -, a história tende a ser diferente em 2018.

Conforme apresentamos na tabela abaixo, as estimativas da Pontoon-e apontam para um reajuste tarifário médio de +15,41% para as 17 distribuidoras que compõe o IPCA. Considerando o peso da energia elétrica no IPCA de 3,559%, projetamos que a variável energia elétrica no IPCA de 2018 será responsável por uma inflação de +0,54%.

Vale destacar que esta projeção considera a curva de preços de energia da Pontoon-e publicada no último dia 12/06, como também o GSF (Generation Scaling Factor) estimado até dezembro e taxa de câmbio média de R$3,75 (Junho a Dezembro).

Pontoon-e | Reajuste Tarifário (B1) vs. IPCAEstimativa: Pontoon-e

Energia Elétrica: O vilão da Inflação em 2018?

Além dos reajustes tarifários anuais (onde cada distribuidora de energia tem uma data específica para reajustar as suas tarifas), a adoção da Bandeira Tarifária a partir de 2015 trouxe uma nova dinâmica, com reflexo direto na inflação.

Na tabela abaixo apresentamos nossa projeção de bandeira tarifária até dezembro.

Pontoon-e | Projeção Bandeira TarifáriaEstimativa: Pontoon-e

Relembrando Bandeiras Tarifárias: O Sistema de Bandeiras Tarifárias  – que apresenta as seguintes modalidades: Verde, Amarela, Vermelha 1 e Vermelha 2 – indicam se haverá ou não acréscimo no valor da energia a ser repassada ao consumidor final, em função das condições de geração de eletricidade. Com exceção da bandeira verde, todas as demais geram um acréscimo automático no preço da energia – Amarela +R$10/MWh; Vermelha 1 +R$30/MWh e Vermelha 2 +R$50/MWh).

Qual o impacto das Bandeiras nas tarifas e no IPCA? A adoção da bandeira amarela em maio (+R$10/MWh) e da bandeira vermelha 2 (+R$50/MWh) em junho, estão fora desta conta. A título de exemplo vale lembrar que o impacto isolado da bandeira amarela nas tarifas de energia elétrica é de 2,0% (0,01% no IPCA), enquanto que o da bandeira vermelha 2 é de 9,9% (0,05% no IPCA).

O que a Pontoon-e espera? Nossas projeções apontam para a manutenção da bandeira vermelha 2 até o mês de outubro, ou seja 5 meses, recuando para a bandeira vermelha 1 (5,9% na tarifa e 0,03% no IPCA) em novembro. A bandeira verde deverá retornar apenas no mês de dezembro, de acordo com os cálculos da Pontoon-e.

Qual a expectativa do mercado? A expectativa de analistas consultados pelo Banco Central (BC) é que a inflação termine 2018 em 3,88%, dentro do limite da meta deste ano. Nessa pesquisa Focus, a inflação de “Preços Administrados” (que inclui a energia elétrica das distribuidoras) é projetada em 6,16% para o ano de 2018, ou seja, muito abaixo da expectativa da Pontoon-e.

Que outros indicadores chamaram a atenção da Pontoon-e? Do início de 2018 até essa semana, o preço do petróleo e o dólar se apreciaram significativamente. O preço do barril do petróleo bruto Brent, FOB, em US$, subiu 12,33% em 2018 (Fonte: Ipeadata, de 01/01 até o dia 18/06), enquanto a taxa de câmbio US$/R$ subiu 14,19% (PTAX, fonte: Banco Central de 01/01 até o dia 20/06). Isso impacta diretamente as distribuidores do Sul, Centro-Oeste e Sudeste, devido à energia de Itaipu, e as termelétricas, cujo acionamento intenso é esperado no período seco.

Como foi o passado recente? A inflação fechou 2017 em 2,95% e ficou abaixo do limite mínimo da meta do governo pela primeira vez na história. Foi a menor inflação anual desde 1998 (1,65%). A energia elétrica subiu 10,35%, impactando o IPCA em 0,35%. A meta não foi cumprida no ano passado devido à queda nos preços dos alimentos, após safras recordes.

Como foi o IPCA de maio? O IPCA do mês de maio foi de 0,40% e ficou 0,18 ponto percentual (p.p.) acima da taxa de 0,22% registrada em abril. O acumulado no ano (1,33%) foi o menor para um mês de maio desde a implantação do Plano Real. O acumulado nos últimos 12 meses subiu para 2,86%, enquanto havia registrado 2,76% nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2017, a taxa atingiu 0,31%.

Conjuntura de curto prazo? O preço dos combustíveis subiu 5,94% em junho. O destaque foi a gasolina, com alta de 6,98%, responsável pelo maior impacto individual no índice (0,31 p.p.), o que representa 28% do IPCA-15. O etanol acelerou em junho (2,36%), após a queda de preços (-5,17%) registrada em maio. O óleo diesel subiu 3,06%.


 

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