Os acionistas de PSA e FCA aprovaram com mais de 99% dos votos em cada empresa, a criação da Stellantis por meio da fusão das duas companhias, que esperam que o processo de união ocorra em 16 de janeiro.

A partir daí, muita coisa vai mudar para as duas montadoras, que formarão a quarta maior do mundo com mais de 400.000 funcionários e 14 marcas, além de atuação com 8 milhões de veículos, num negócio de US$ 203 bilhões.

Entretanto, nem tudo serão flores para algumas marcas dos dois grupos e pode haver mudanças organizacionais mais profundas no que anteriormente pertencia à PSA e FCA.

Várias fontes na América do Norte e Europa falam em cortes e um dos primeiros será relativo à quantidade de marcas. Comenta-se na Europa que as marcas mais fortes da Stellantis serão Jeep e Peugeot, enquanto outra que tem futuro incerto é a Alfa Romeo, Lancia, Chrysler e Dodge.

Também se fala nos EUA que a Dodge não deve ir muito longe com seus muscle cars, um contraste enorme com a futura política da empresa, focada nos carros elétricos, condução autônoma e conectividade.

As regras de emissão mais rígidas e a decisão de estados como Califórnia e Massachusetts, enfraquecerão a imagem do carneiro da montanha. A Chrysler não tem modelo novo à vista e como marca de luxo, não tem boa recepção na Europa.

á a Alfa Romeo colide com os interesses premium da Maserati, sendo que a marca esteve a ponto de ser vendida para a VW. Ela não vende bem e isso é um problema. A Lancia tem apenas um carro. Na lista, não escapa nem a DS, a divisão de luxo da PSA atualmente.

O grande problema são as vendas. Carlos Tavares é conhecido por cortar carros que não vendem bem, mesmo quando ainda era da Nissan nos EUA. Para tornar a Stellantis uma empresa rentável, ele provavelmente eliminará a maioria dos não-rentáveis, especialmente marcas.

Outro ponto será a sinergia entre as marcas com plataformas comuns, como a CMP, que deve abraçar Fiat, Peugeot, Citroën, DS, Opel, Vauxhall, Jeep e talvez a Alfa Romeo.

Como marca de luxo, a Maserati terá maior importância na companhia, mas ainda não se sabe como Opel e Peugeot coexistirão na Europa. Fala-se que a francesa seria mais premium nesse caso. Na Citroën, o foco será preço e estilo, enquanto a Fiat deve focar mais em peitar a Dacia.

A Jeep já tem seu papel com os SUVs, devendo reforçar sua imagem na Europa, enquanto a RAM ataca nas picapes. A Stellantis deve racionalizar a produção de carros, o que pode levar ao fechamento de fábricas.

Além disso, a China terá um papel maior nas operações da empresa, visto que a recuperação de Peugeot, Citroën e DS se dará com Jeep e Maserati.

Mercosul

E aqui? O uso da CMP pela Fiat será praticamente obrigatória sob o comando de Mike Manley, que controlará a Stellantis nas Américas. Plataformas locais devem ser substituídas por equivalentes modulares com sinergia indiana (Citroën).

A Peugeot Landtrek poderia ser integrada à RAM, que assim seria exclusiva nesse segmento, tal como a Strada e a Toro é vendida sob a marca americana em mercados latinos. Isso também poderia ocorrer por aqui, contudo, a imagem de produto Fiat tem peso importante nas vendas.

A Citroën pode focar em preço competitivo, enquanto a Peugeot eleva sua posição com produtos mais caros. No meio disso, vem a Fiat, mesclando os dois lados.

Uma variante americana da RAM Landtrek (Dakota) até poderia ser feita, mas a Stellantis deve focar numa picape 100% elétrica. Quanto às cinco fábricas do Mercosul, só saberemos “Adellantis”, mas migrar a Citroën para Betim não seria nada estranho.

Se tivéssemos incentivos fiscais, Porto Real daria uma boa planta para carros elétricos do grupo ou da Opel, que aqui seria 100% energizada. Na Argentina, unir Cronos e 208 na mesma fábrica (El Palomar) seria outra resposta para reduzir custos.


 

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