A CPFL Energia formalizou ontem , 2/4, a intenção de realizar uma oferta pública subsequente de ações, marcando a reestreia na bolsa (“re-IPO”) depois que seu controle foi adquirido pela chinesa State Grid em julho de 2016. A companhia pediu à B3 a extensão do prazo para cumprimento da recomposição do volume de ações em circulação, a fim de cumprir as regras do Novo Mercado e voltar a ter no mínimo 15% de capital social negociado. Hoje, a empresa tem 5,25% das ações no mercado.

Segundo fontes, a operação deve ser primária e secundária (com emissão de novas ações e venda de ações da controladora).

A State Grid pagou R$ 27,69 pelas ações da CPFL Energia na oferta pública de aquisição de ações (OPA) realizada em 30 de novembro de 2017, quando foi concluída a aquisição da companhia. Na operação, restaram cerca de 53 milhões de ações na mão de minoritários (a fatia de 5,25%).

Pelas regras do Novo Mercado da B3, o volume de ações em circulação é insuficiente para que a listagem seja mantida. Diante disso, a State Grid tinha duas alternativas pela frente. O re-IPO ou fazer uma nova OPA de saída do Novo Mercado e fechamento de capital, na qual o preço deveria ser definido pelo chamado “valor justo” das ações. Investidores aproveitaram o momento em que os papéis da CPFL bateram a mínima de R$ 17,98 em novembro de 2017 para montar posição na empresa. Como a companhia é uma das preferidas no setor elétrico, eles compraram uma ação considerada de qualidade por um preço “barato.”

A aposta era que, numa eventual OPA, o valor justo das ações não seria inferior a R$ 30. Um motivo para isso era o laudo de avaliação elaborado pelo Banco Fator a pedido da CPFL no contexto da OPA da CPFL Renováveis, que chegou a um valor por ação de R$ 26,80 para a holding pela metodologia de fluxo de caixa descontado. Como as premissas utilizadas eram antigas, a expectativa era de que uma nova avaliação chegaria num valor maior. Ontem, as ações da CPFL fecharam em queda de 0,67%, a R$ 29,50.

Segundo fontes, esse foi um dos fatores que afastou a State Grid da ideia de lançar a nova OPA. O pedido de um prazo extra feito à bolsa indica que a nova oferta de ações será feita com base no balanço da CPFL do primeiro trimestre deste ano, que deve ser divulgado no início de maio.

Pelas regras do Novo Mercado, uma empresa deve manter ao menos 25% do capital social em circulação, ou 15% se o volume médio diário da negociação for igual ou superior a R$ 25 milhões nos últimos doze meses. A State Grid tinha 18 meses para reenquadrar a CPFL na regra, prazo que terminaria em maio e coincidiria com a janela do primeiro trimestre para a operação.

Fonte: Valor Econômico 

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