Abordamos na semana passada a situação complexa que envolve a privatização de seis distribuidoras problemáticas da Eletrobras e os impactos financeiros dos infindáveis adiamentos da tão necessária medida, já contabilizados em 6 bilhões de reais nos ombros dos contribuintes.

Para tornar as coisas ainda mais complicadas o país foi surpreendido com as famosas “pautas-bomba”, onde medidas que criam ainda mais gastos deverão passar pelo processo de aprovação nas casas legislativas.

Cabe a nação mover-se e passar da indignação para ação e protestar contra esses absurdos, não há mágica possível, quaisquer medidas nesse sentido implicarão na necessidade de aumento da carga tributária, algo que deveria ser prontamente rebatido por toda a sociedade. Somos um país com doença fiscal crônica, e a continuar nesse ritmo seremos brevemente terminais; a única saída será pressionar o novo governo a buscar uma reforma Constitucional que reveja com urgência as politicas previdenciárias do setor público. Não há como o novo presidente evitar tal tarefa, ela se imporá independentemente da ideologia do candidato vencedor.

Em uma esclarecedora reportagem a revista Veja, Mansueto Almeida, Secretário do Tesouro Nacional e Doutor em Políticas Publicas pelo MIT, explica que não é possível fazer os ajustes necessários com mais aumentos de impostos, nem mesmo  se combinado a uma maior eficiência arrecadatória, sequer tangenciaríamos os 300 bilhões de reais necessários para equilibrar os aumentos dos gastos públicos, ou seja, temos uma bomba relógio armada com um tic-tac acelerado, uma vez que essa montanha de dinheiro resulta de uma economia entre 4 a 5% do PIB provenientes da Emenda Constitucional 95/2016 (do Teto dos Gastos), porém a cruel realidade é que não há como cumprir essa regra sem uma incisiva Reforma da Previdência, trata-se de matemática básica, e como bem comenta Mansueto, essa reforma deve ainda ser combinada a uma rigorosa análise de diversas políticas públicas que não trazem o retorno esperado e eliminá-las dos custeios com o dinheiro público.

Para ilustrar a qualificação de “matemática básica” basta usar um dado simples: se todas as despesas não obrigatórias fossem ZERO, incluindo investimentos públicos, ainda assim o país teria um déficit primário de 35 bilhões de reais, ou seja, a referida reforma constitucional será um caminho inevitável, caso contrário mergulharemos em sucessivas crises fiscais com danos irreparáveis. É hora de muita reflexão para a sociedade, os primeiros passos começam com candidatos que abordem esse drama em seus programas de governo, e por enquanto ainda estamos na estaca zero. Nos cabe cobrar.

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Alex Pomílio
Atua em consultoria na área de gestão estratégica, com foco principal em questões ligadas ao setor de energia elétrica, indústrias elétro intensivas e energo intensivas. Avaliação de projetos de investimentos em projetos de geração e comercialização de energia elétrica, “Project Finance”, financiamento e estruturações na área. Atua também em processos de reorganização estratégica de empresas, fusões e aquisições. • MBA em Gestão de Energia Elétrica na FIA-USP (em curso) • Pós-Graduação em Administração de Empresas pela FGV-SP • Pós-Graduação em Economia Industrial pela UNICAMP • Cursos internacionais em Estratégia e Desenvolvimento de Negócios pela Columbia University de Nova Iorque e IMD na Suiça • Engenheiro de Materiais pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) com especialização em Ciência de Polímeros • Atualmente Conselheiro Consultivo da Pisa Indústria de Papéis, Nórdica Energia e BO Paper (antiga Stora Enso Arapoti) e “Business Partner” da Wave Corporation, atuando no desenvolvimento de negócios focado em Energia Elétrica • Foi Diretor Geral da Pisa Indústria de Papéis, Nórdica Energia e BO Paper, tendo passado nesse mesmo grupo pelas posições de Diretor de Vendas, Diretor de Energia e Novos Negócios e Diretor de Relações Externas • Foi Diretor Geral da Magna International do Brasil e anteriormente Diretor de Vendas e Engenharia para América do Sul • Executivo de outras empresas como Delphi Automotive (ainda no Grupo General Motors e Plascar Autopeças)

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