O setor industrial paulista recuou 3,9% em setembro, na comparação com agosto, e exerceu o maior impacto na queda de 1,8% na produção brasileira. É o terceiro mês seguido de resultado negativo para o país e para São Paulo, que acumulou baixa de 1% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2017. As informações são da Pesquisa Industrial Mensal Regional, divulgada hoje pelo IBGE.

O desempenho paulista foi prejudicado, em grande medida, pela redução na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias. O analista da pesquisa, Bernardo Almeida, ressaltou que, “por concentrar 34% da indústria do país, São Paulo exerceu a maior influência negativa”.

                                         Índice Mês/Mês (%) – Séries com Ajuste Sazonal                              (Base: mês imediatamente anterior)

Fonte: IBGE.

No Amazonas, que representa aproximadamente 3% da produção nacional, ocorreu a maior queda de setembro entre os locais pesquisados, de 5,2%: “Esse resultado foi influenciado principalmente pelo setor de bebidas, que tem grande peso nessa região”, disse o analista. Na comparação com setembro de 2017, os dois estados tiveram as maiores taxas negativas, com São Paulo com – 6,6% e Amazonas, -14,8%.

#praCegoVer grafico exibindo a variação nos quinze locais pesquisados
Dos 15 locais pesquisados, sete tiveram queda na produção industrial na comparação com agosto, um número elevado, de acordo com Bernardo, que analisou o contexto desse resultado: “o cenário político e econômico trouxe incertezas aos produtores e aos consumidores, causando retração nas tomadas de decisão, o que provocou essa desaceleração”.

Cenário de incertezas dificulta análise de longo prazo

Média Móvel Trimestral 2011-2018 (Indústria Geral)

Fonte: IBGE.

No acumulado nos últimos 12 meses, ao passar de 3,1% em agosto para 2,7% em setembro, a indústria demonstrou uma perda de dinamismo, após interromper em maio último a trajetória ascendente iniciada em junho de 2016, indicou a pesquisa.

Indústria Geral (mensal x acumulado nos últimos doze meses)

Fonte: IBGE.

Após a Greve dos Caminhoneiros interromper em maio último (3,0%) a longa trajetória ascendente iniciada em junho de 2016 (-9,7%), a indústria nacional voltou a registrar uma perda de dinamismo, ao passar de 3,1% em agosto para 2,7% em setembro de 2018. Em termos regionais, sete dos 15 locais pesquisados apontaram menor dinamismo frente aos índices de agosto. “Olhando essa taxa anualizada, temos uma visão de longo prazo. O comportamento regional é o mesmo da indústria nacional, no sentido de perda de ritmo de produção. Quando esse cenário de incertezas se dissipar, aí vamos confirmar esse comportamento de longo prazo. Por enquanto é apenas um alerta”.

 

Incentivos setoriais e retomada do crescimento

Tal qual a deterioração da conjuntura no segundo trimestre, causada pela Greve dos Caminhoneiros, a queda no desempenho do 3º Trimestre, em grande parte, pode ser atribuída a um fator externo não-recorrente, o período eleitoral, durante o qual o nível de incertezas e resultou em deterioração de alguns indicadores, como por exemplo a taxa de câmbio. Superadas essas incertezas com a definição da eleição presidencial, caiu a volatilidade, os indicadores voltaram a patamares mais estáveis, e o otimismo voltou ao mercado. Apesar dessaa perda de dinamismo do último trimestre, os excelentes resultados acumulados nos últimos 12 meses em alguns setores indicam que o segmento de bens de consumo duráveis, em especial o setor de veículos automotores, tem potencial para liderar uma retomada do crescimento da economia.

Acumulado nos últimos doze meses (%)

Fonte: IBGE.

A assinatura  assinou ontem (8), do decreto que regulamenta o novo regime tributário automotivo, o Rota 2030, indica que o governo reconhece a importância do setor automotivo para a retomada do crescimento industrial, e acredita que incentivos fiscais podem melhorar ainda mais o desempenho do setor.

Fonte: IBGE (link e link), Agência IBGE Notícias (link).

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