As declarações dos candidatos á Presidência, de que não pretendem privatizar a Eletrobras praticamente e definitivamente põe em risco a privatização da empresa em 2019.  Atualmente, tramita no Congresso o projeto de lei que prevê a desestatização da Eletrobras, porém Rodrigo Maia (DEM/RJ) já afirmou que o texto será votado apenas em 2019.

O último impacto ocorreu nesta semana, quando a fala do candidato Jair Bolsonaro provocou uma queda acentuada as ações da Eletrobras na bolsa, quando as ações ordinárias da companhia registraram queda de 11,62%, negociadas a R$ 20,15. E os papéis preferenciais recuaram 13,51% a R$ 23,17.

A declaração de Bolsonaro desta semana contrariou levantamentos feitos por entidades do setor elétrico, que haviam identificado ser favorável à privatização da Eletrobras, bem como da venda das distribuidoras de energia.

Como sempre, numa posição radical com relação ao tema, Haddad defende, conforme o programa de governo do PT, a “retomada do controle público, interrompendo as privatizações”, e o petista ainda enfatiza que  “Eletrobras retomará seu papel estratégico, no sistema energético brasileiro, contribuindo para a expansão da geração e transmissão de energia no país”.

Restam apenas duas distribuidoras a serem privatizadas, a  primeira é a Amazonas Energia, cujo leilão está previsto para 25 de outubro. A outra é a Ceal, do Alagoas, cuja privatização está suspensa por uma liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

A declaração de Bolsonaro indiretamente também colocou na mira as estatais chinesas que investem no país. Alvo de críticas do candidato, as companhias chinesas possuem quase 10% da capacidade instalada do parque gerador brasileiro. Juntas, a CTG Brasil, a CPFL Energia (controlada pela State Grid Corporation of China) e a State Power Investment Corporation (SPIC) possuem 15,36 mil megawatts (MW) instalados, principalmente de usinas hidrelétricas e eólicas. O montante corresponde a 9,6% da capacidade do sistema brasileiro, de 160 mil MW.

Com relação a transmissão de energia, a principal empresa chinesa no país é a State Grid Brazil Holding (SGBH), também controlada pela State Grid Corporation of China (SGCC). Primeira chinesa a aportar no Brasil, a companhia possui 6,04 mil km de linhas de transmissão em operação no país, com destaque para os dois linhões que fazem o escoamento da energia da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), para o Sudeste, com mais de 2 mil km cada. Um dos linhões ainda está em construção. Proporcionalmente, considerando os ativos em construção, a SGBH tem pouco mais de 5% de todo o sistema de transmissão em alta tensão do país.

Já na distribuição de energia, a participação das chinesas, por meio da CPFL Energia e da EDP Energias do Brasil (da qual a CTG tem participação na holding portuguesa), é ainda maior. Considerando o universo de clientes da CPFL e EDP, de 15,3 milhões unidades, a participação chinesa direta ou indireta no segmento é de 18,6% do total de 82,4 milhões de consumidores do país.

Fonte:  Valor Econômico, Rodrigo Polito (Colaborou Carolina Freitas, de São Paulo)


 

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