A greve dos caminhoneiros da última semana trouxe à luz o carro elétrico. Para muitos isto ainda é pura ficção científica, ou algo para pouquíssimos privilegiados. A verdade, entretanto, é muito diferente.

A evolução observada nos últimos anos posicionou o carro elétrico como um bem acessível, principalmente quando consideramos o custo do km/milha rodada mesmo em países onde o custo do kWh é elevado como é o caso do Brasil.

A acentuada queda no custo da bateria (Lithium ou Li-ion), seguido pela decisão das montadoras tradicionais (GM, Volkswagen, Porsche, Nissan etc), assim como por novos “players” como a Tesla, em desenvolver os seus próprios veículos e pela definição de metas para a transição de veículos movidos a combustível fóssil para veículos em diversos países europeus, tornou o veículo elétrico (VE) uma realidade. Vemos isto como um ponto sem volta.

VEs também apresentam mínima dependência energética, uma vez que utiliza a eletricidade residencial como fonte. A autonomia e o tempo de recarga também tem avançado a passos largos, embora continuem a enfrentar desafios em relação às baterias:

(i) Autonomia: Entre 60-120 milhas (full charge), embora alguns modelos alcancem 200-300 milhas;

(ii) Tempo de Recarga: A recarga total varia entre 4 a 8 horas. Mesmo o “fast charge” para recarregar 80% da bateria pode levar 30 minutos.

(iii) Custo da Bateria: O custo dos pacote de baterias é elevado e pode demandar a substituição uma ou mais vezes.

Os investimentos tem sido direcionados para melhorar a tecnologia das baterias, visando a ampliação da autonomia e tempo de recarga, além do peso e custo.

O custo das baterias (Li-ion) recuou dramaticamente no período 2010-17 (-79%), passando de USD1.000/kWh para USD209/kWh.

Estimativas recentes da Tesla apontam para uma redução ainda mais brutal (USD100/kWh) até 2025, além de maior eficiência.

Fonte: Bloomberg

Quanto custo rodar com um VE no Brasil?

Esta resposta está diretamente atrelada ao local da sua residência. Em resumo, o custo do VE (Veículo Elétrico) por km rodado depende do preço da eletricidade e, portanto, da distribuidora que atende sua região.

As tarifas de eletricidade apresentam grande variabilidade, não apenas entre os Estados, mas também entre as diversas áreas de concessão.

A forma mais adequada de efetuar este cálculo é utilizando a tarifa residencial de baixa tensão (B1) da sua concessão. No gráfico abaixo mostramos o custo por milha em reais de alguns VEs, considerando o consumo de eletricidade (kWh) de alguns veículos “populares” e a tarifa B1 de três distribuidoras de energia (Eletropaulo, Cemig e Light).

Fonte: US Department of Energy

O BMW i3 e o Tesla 3 são os veículos que apresentam melhor eficiência dentre os veículos analisados, com consumo de 27 kWh a cada 100 milhas. O Chevy Bolt da GM também se destaca, com consumo de apenas 28 kWh a cada 100 milhas.

O custo para rodar 100 milhas em São Paulo com o BMW i3 e Tesla 3 é de apenas R$11 (Eletropaulo), enquanto que esta distância nos mesmo veículos custa R$13,34 em Minas Gerais (Cemig) e R$14,22 no Rio de Janeiro (Light).

Mesmo veículos menos eficientes como o Tesla Model X e Model S, com consumo de 36 kWh e 34 kWh, respectivamente, apresentam custo muito mais competitivo que qualquer veículo movido a combustão interna. O custo para rodar 100 milhas em São Paulo com estes veículos seria de apenas R$15 e R$14, respectivamente.

Para os céticos e/ou apaixonados por motores à explosão sugerimos uma olhada nos diversos estudos e análises à disposição do público interessado. A Pontoon-e disponibiliza alguns relatórios interessantes sobre este tema.

Como calcular o custo do VE por milha

Para calcular o custo por milha é necessário duas informações básicas (i) o custo da tarifa residencial B1 da distribuidora e (ii) quantos kWh o VE consome para percorrer 100 milhas.


 

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