Revolução em marcha

Assim como o restante da economia brasileira, o setor elétrico está aguardando o desfecho das eleições agendadas para outubro para definir os próximos movimentos estratégicos. Conforme comentamos em publicações recentes, o setor elétrico no mundo está imerso em uma nova revolução, tendo as novas tecnologias como o carro elétrico, armazenagem, blockchain, geração distribuída (GD) e energia solar fotovoltáica, como os principais drivers desta revolução.

Para fazer frente a esta ampla gama de “novidades”, que em nossa opinião deverá intensificar a consolidação do setor, as empresas terão que acelerar os seus investimentos, elevando a necessidade de capital, seja através de emissão de dívida, mas principalmente através da emissão de ações. De acordo com estimativas preliminares da Pontoon-e estes valores podem facilmente ultrapassar a casa dos R$100 bilhões ao longo dos próximos três a quatro anos.

O sucesso disto dependerá do resultado das eleições, tanto no plano federal, quanto no estadual. Vemos a revisão do modelo regulatório em vigor, como algo fundamental e urgente. Esta revisão deve ter como principal meta preparar e adequar todo o marco regulatório a estas novidades tecnológicas, que em síntese transformarão desde a “simples” operação do sistema elétrico, passando pelo uso de big data para maximizar a eficiência e mitigar custos, culminando na redefinição do papel do consumidor.

À medida que as utilities incorporam equipamentos e ativos sofisticados em seus portfólios e acumulam mais dados do usuário (por meio de medidores inteligentes, por exemplo), esses dados podem se traduzir em insights de negócios reais com impacto mensurável. Muitas vezes o potencial de todos esses dados só é percebido quando uma empresa tem as ferramentas para analisá-las e compreendê-las, como é o caso da inteligência artificial.

Parece ficção científica, mas não é.

A combinação de medidores inteligentes e inteligência artificial permite que as empresas obtenham dados históricos e em tempo real que podem levar a melhores decisões sobre tudo, desde a previsão da demanda até o gerenciamento da capacidade da força de trabalho, planejamento de emergência, manutenção preditiva, agendamento otimizado, tempos de viagem mais precisos, padrões sazonais de serviço e muito mais.

Recentemente diversos analistas financeiros ficaram surpresos e questionaram o elevado preço pago pela italiana Enel pela distribuidora Eletropaulo, responsável pela concessão na área metropolitana de São Paulo. Não é muito difícil supor que a grande maioria das avaliações até então vigentes consideravam apenas múltiplos sobre base de ativos regulatórios, ou potenciais ganhos de eficiência operacional ou mesmo sinergias, mas poucos entenderam a alteração no “drive” de valor implícito naquela oferta de aquisição: Acesso ao Consumidor.

Todas estas novas tecnologias potencializaram o valor do acesso ao consumidor, pois permitem o desenvolvimento de uma ampla variedade de serviços e negócios, antes inacessíveis.

Talvez a lição que fique seja esta: Me diga quantos consumidores você possui e quão bem você os conhece, que eu lhe direi o valor da sua empresa.


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