O primeiro debate dos candidatos a Presidentes ocorreu no dia 09/ago/18 e abaixo escrevo mui humildemente minhas impressões sobre a participação de cada um.

Bolsonaro | Fez a lição de casa com o Paulo Guedes. Em relação aos antigos eleitores, não ganhou e nem perdeu. Para aqueles que acreditaram nas palavras neoliberais dele, ganhou pontos. Mas, finalmente colocaram Bolsonaro na parede e tiraram-no do lugar de conforto ao perguntar o que faria com os benefícios dos militares. Não titubeou, mas também não agradou. Vai mantê-los porque merecem e são diferentes! Alguns jornalistas bobocas e presidenciáveis traço (abaixo de 1% de interesse de voto), no início, ainda tentaram colocá-lo na manjada sopa de homofobia, machismo, etc. Mesmo assim, ainda foi bastante poupado, principalmente por Ciro Gomes. Não ganhou votos, mas também não perdeu;

Alckmin | Suou com a Marina sobre o Centrão. Apesar de tentar explicar que “não basta vencer a eleição, é preciso governar”. Tentou sair pela tangente, mas mostrou que é da velha guarda. Perdeu pontos;

Ciro | Eloquente, mas raso em explicações econômicas. Vai sanar as contas públicas, talvez reescalonando a dívida (calote), como se isso não subisse ainda mais a taxa de juros para financiar a dívida pública que continuará a subir. Óbvio. Quem vai querer continuar comprando títulos públicos após ter tomado um totó? Além de tirar 63 milhões de devedores do SPC. Imagino como isso deva ajudar o spread bancário e o risco de crédito. Ainda cometeu várias vezes o erro crasso ao afirmar que o maior custo da mão de obra da Europa é da Alemanha. Bobagem! Se ajustada pela produtividade é um dos custos de mão de obra mais baixo, daí parte da explicação de sua enorme competitividade;

Marina | Ainda não entendeu o que significa democracia representativa. Líderes quando eleitos pelo voto democrático não precisam de plebiscito para tudo. O mundo gira e o Brasil tem pressa. Mas volto a dizer, deu calor no Alckmin.;

Boulos | Usou e abusou de bobagens e da piada “50 tons de Temer” por umas 42 vezes. A culpa de tudo é dos bancos, não tem nada a ver com o PT, diz que é renovação, mas apresenta propostas estatizantes e por incrível que pareça se vendeu contra a bolsa-empresário, mas defendeu o governo Lula e Dilma. Vai entender! Lógico, quase queimou pneus no estúdio da Band quando debatia com Bolsonaro. “Machista, homofóbico, vamos tributar as grandes fortunas”: Como se não fugissem do país assim que ele fosse para o segundo turno;

Álvaro Dias | Sua estratégia de arapuca pegou muitos desprevenidos ao perguntar o que fariam como presidentes e depois olhava para a câmera e dizia para os eleitores terem cuidado, pois esses mesmos candidatos estavam na política e nada fizeram. Estratégia boa, mas depois de aplicada uma vez, já daria para os outros candidatos terem aprendido e se antecipado. Defendeu o juiz Sergio Moro (nada de novo!) para Ministro da Justiça e prometeu não usar o BNDES para financiar ditaduras. Puxa, que bom! Manteve-se;

Meirelles | Discurso perfeito. Nexo causal da economia certeiro, mas não empolga nem membros da própria família;

Haddad | Não foi e acabou ganhando pontos. Pode acabar indo para o segundo turno. A estratégia de Lula de sair desse pleito como preso-político está atraindo até a imprensa internacional. Sabe que não será candidato, mas daqui a pouco coloca o Haddad como candidato, a Manuela D´Ávila, que por enquanto é vice de vice, como vice de Haddad e vai para o segundo turno com as bênçãos de Lula e se for o caso com a aliança de Ciro Gomes, o qual já tem como vice a Katia Abreu, queridinha de Dilma;

Cabo (não sei o nome) | Quase coloquei um copo de água para ele abençoar ao final do debate. Senti-me ungido.


 

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Roberto Dumas
Mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro. Trabalhou em instituições renomadas (UBS, Citigroup, Lloyds Bank e Itaú BBA). De 2007 a 2011 representou o banco Itaú BBA em Shanghai. Também atuou no banco dos BRICS em Shanghai (New Development Bank) na área de operações estruturadas e risco de crédito. Dumas é Mestre em Economia pela Universidade de Birmingham na Inglaterra. Mestre em Economia Chinesa pela Universidade de Fudan (China). Graduado e pós-graduado em administração e economia de empresas pela FGV e Chartered Financial Analyst conferido pelo CFA Institute (USA). Professor de Economia Internacional e Economia Chinesa do INSPER, IBMEC São Paulo, Fundação Instituto de Administração (FIA-USP) e Saint Paul Business School. Professor Convidado da China Europe International Business School (CEIBS) e Fudan University (China).

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