Em entrevistas recentes, o atual presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, indica que a reestruturação do BNDES adotada pelo governo atual deve ser mantida no próximo governo que será eleito no segundo turno, pois reflete as condições atuais e representa um avanço em termos de gestão, eficiência e adequação à realidade.

“O Brasil entrou em uma era de juro baixo”, disse Oliveira em apresentação recente (link), lembrando que a inflação quebrou o ciclo de indexação severa e atingiu uma dinâmica diferente. Para ele, o impacto do mecanismo de perpetuação da inflação no Brasil está diminuindo, e isso permitirá estabilidade ao país, para no médio e longo prazos, voltar ao crescer em níveis semelhantes ao de países desenvolvidos. “A grande inquietação é saber aonde vamos chegar com isso.”

No jornal “O Estado de São Paulo” (link), nessa segunda-feira (08/10), Dyogo Oliveira revela que o novo perfil da instituição “veio para ficar”, e não deve ser alterado pelo próximo presidente que será eleito no segundo turno das eleições de 2018. Essa é a realidade por representar o que é viável e compatível com o cenário atual.

Fonte: BNDES, “Desembolsos em 2018” (link).

Esse cenário atual é composto pelo aspectos macroeconômicos que devem permanecer sem alterações nos próximos anos se o governo eleito mantiver a estabilidade econômica atingida após o fracasso da política intervencionista do governo Dilma. Ele representa a alternativa viável devido à ausência de espaço fiscal no Orçamento do Tesouro Nacional, e com as baixas taxas de juros e de inflação, que o Banco Central conseguiu atingir através da bem-sucedida política monetária implementada por Ilan Goldfajn.

Além de adequado ao cenário macro, o foco atual é compatível com a reorientação da política do BNDES que o governo Michel Temer implementou, com a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP), na correção dos empréstimos do banco. Esses aspectos compõe um cenário que “veio para ficar”. Outra alteração muito importante é o foco no segmento MPME (Micro, Pequena, e Média empresa).  A título de comparação, em 2010 os desembolsos para o segmento MPME representaram 27,1% do total de desembolsos do BNDES, enquanto o segmento Grande empresa recebeu os demais 72,9%. Em 2014 esses percentuais não haviam sido alterados significativamente, com 31,6% e 68,4%, respectivamente. Após a alteração de governo, o BNDES mudou essa diretriz, e o perfil dos desembolsos foi bastante alterado, com os desembolsos para MPME atingindo 42,0% em 2017 e 48,6% do total do primeiro semestre de 2018*.

Fonte: BNDES, “Desembolsos em 2018” (link).

*  No artigo do jornal O Estado de São Paulo, é registrado que Dyogo Oliveira declarou na entrevista que “A previsão é que ao final de 2018 os desembolsos para as micro e pequenas empresas feche em 49% do volume de financiamento do banco e 41% para infraestrutura. No auge, entre 2012 e 2013, o financiamento para as micro e pequenas empresas não passava de 20% e só começou a subir em 2016 com a nova orientação.” É o entendimento da Pontoon-e que os números mencionados com referência a 2018 se referem ao segmento de micro, pequenas e médias empresas (MPME), tal qual está refletido nos números publicados pelo BNDES em seus relatórios. Vide, por exemplo, “Estatísticas por setor e porte de empresa” (link).

Fonte: Agência Brasil (link), O Estado de São Paulo (link), BNDES (link, link , e link )

 

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