O projeto Rota 2030, que deverá ser regime automotivo remodelado, teve seus prazos de aprovação e lançamento adiados.

O governo já tinha um texto da nova lei pronto, inclusive com a perspectiva de um lançamento bem próximo, atendendo aos anseios da cadeia industrial automotiva. Contudo há sinais de que o Ministério da Fazenda decidiu retomar o debate técnico em função de problemas no texto, o que pode até ser compreendido.

Há, contudo, um grande prejudicado em mais esse imbróglio da política de desenvolvimento brasileira: Os Carros Elétricos e híbridos foram vitimados.

Enquanto o mundo acelera para que esse tipo de propulsão avance, nossa política faz com que andemos a velocidade de bondinhos dos séculos XIX e XX.

Os veículos elétricos e suas poderosas baterias embarcadas serão um importantíssimo complemento à evolução da geração solar fotovoltaica, principalmente em GD (geração distribuída) e ainda mais relevante quando o país finalmente entrar na era do “Smart Grid”, as redes elétricas inteligentes. Nela os carros elétricos serão, além de meios de locomoção, uma possibilidade adicional de gerenciamento energético aos seus proprietários, incluindo a possiblidade de comercializar o excedente da carga da bateria nos momentos de pico de consumo, quando a energia cara poderá ser disponibilizada para a rede, rendendo algum dinheiro ao proprietário do veículo, que poderá recarrega-lo mais tarde quando a energia cair de preço.

O que ainda é uma visão de futuro para nós aqui no Brasil já é realidade em muitos países, onde pequenos consumidores podem ser livres, e escolhem como gerenciar sua energia. Cabe-nos assim questionar se é adequado incluir a tão importante iniciativa de incentivar os carros elétricos dentro das discussões de um regime que ainda visa a indústria automotiva em seu modal com motor a combustão, haveria um interesse real em desenvolvê-los dentre aqueles que provavelmente temem seu avanço?

Entre idas e vindas dessa infindável discussão do Rota 2030, nosso modelo de expansão dos carros elétricos avança menos e mais devagar que os saudosos bondinhos do século passado.


 

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