Cenário hidrológico mais positivo frente aos últimos anos 
impacta na redução do preço quando comparado com 2018 

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE – apresentou, nesta quarta-feira, 2/1, análise do comportamento do Preço de Liquidação das Diferenças – PLD – ao longo do mês de dezembro e início de janeiro. Uma expectativa menos otimista do cenário hidrológico impactou diretamente no PLD médio projetado para 2019, saindo dos R$ 89/MWh projetados anteriormente para R$ 142/MWh no submercado Sudeste/Centro-Oeste.

Apesar desta elevação no PLD médio projetado, a previsão para 2019 é mais otimista do que o resultado de 2018. No submercado Sudeste, o PLD médio do ano passado ficou em R$ 288/MWh. Ou seja, há uma expectativa da redução de 50% no preço.

“O mês de dezembro apresentou déficit de chuvas em todo país. Houve, na primeira semana do mês, uma convergência de umidade que fez com que Sul e Sudeste tivessem afluências acima da média. Também ocorreu precipitação no Nordeste, o que reduziu a produção eólica. Já na segunda e terceira semanas, se verificou redução das chuvas e consequente aumento da carga, em decorrência do uso de refrigeração”, afirma Camila Giglio, da gerência de preços da CCEE.

Em janeiro, as afluências esperadas estão acima da média apenas no Norte (105%). Sudeste (82%) e Sul (80%) permaneceram próximas à MLT, enquanto a região Nordeste (47%) apresentou índice bem abaixo da MLT.

As condições mais positivas de hidrologia, principalmente no Sudeste, impactaram nos níveis iniciais de armazenamento dos reservatórios do Sistema. “Quando comparamos os níveis registrados em 31 de dezembro, frente ao início do mesmo mês, observamos um aumento de 3.5 p.p. no Sudeste (27,6%), de 5 p.p.no Norte (27,3%) e de 9.9 p.p no Nordeste (40%). No Sul (59,4%) houve queda de 10.3 p.p. nos níveis dos reservatórios”, explica Camila.

A expectativa para o fator de ajuste do MRE, em 2018, foi revista para 81,6%, com índice de 99,4% para dezembro. Quando a projeção do MRE é ligada à repactuação do risco hidrológico, que considera a sazonalização “flat” da garantia física, aponta índices de 92,5% para dezembro e 100,4%, para janeiro.

Já o impacto financeiro da análise do MRE, dentro do cenário hipotético de 100% de contratação da garantia física, é de R$ 35 bilhões para o ano, sendo R$ 23 bilhões referentes ao Ambiente de Contratação Regulada – ACR e R$ 12 bilhões ao Ambiente de Contratação Livre – ACL.

Os Encargos de Serviços do Sistema – ESS, por sua vez, devem alcançar R$ 419 milhões em dezembro, sendo R$ 139 milhões por restrição elétrica e R$ 280 milhões por conta da reserva operativa de potência. Para janeiro, há previsão de encargos em R$ 64 milhões por conta da restrição operativa.


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