A Datafolha publicou na noite desta segunda-feira (10/09) nova pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais de outubro, a primeira após o atentado sofrido pelo candidato líder nas pesquisas Jair Bolsonaro (PSL). Destacamos que esta pesquisa não inclui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve barrada sua candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na madrugada de 1º de setembro.

Esta era uma pesquisa muito aguardada tanto pelos especialistas em análise política, quanto pelo mercado financeiro, pois poderia trazer algum indicativo do impacto do atentado nos eleitores. Apesar da grande expectativa muito pouco mudou em relação a candidatura de Jair Bolsonaro. A grande surpresa foi o renascimento da candidatura de Ciro Gomes (PDT), até então tido como “carta fora do baralho”.

Abaixo apresentamos alguns “highlights” desta última pesquisa.

Jair Bolsonaro (PSL) | Bolsonaro consolida liderança, mas nada de vitória no 1º turno. O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, segue com folga na liderança com 24% (2 p.p. acima da última pesquisa), enquanto outros quatro presidenciáveis disputam palmo a palmo o segundo lugar, ou seja, o direito de disputar o 2º turno. A expectativa alimentada nos últimos dias por boa parte da imprensa, era de que o atentado poderia ter um impacto extremamente positivo na candidatura de Bolsonaro, elevando a possibilidade de vitória já no 1º turno. Para os mais otimistas, a pesquisa de ontem elimina este cenário, embora aponte uma clara consolidação de Bolsonaro na faixa dos 20-25% de intenção de votos. Isto fica claro quando analisamos o expressivo crescimento de Bolsonaro na pesquisa espontânea de intenção de voto, onde ele subiu de 15% para 20%.

Ciro Gomes (PDT) | Pesquisa aponta renascimento de Ciro Gomes na disputa. A pesquisa mostrou Ciro Gomes subindo de 10% para 13%, ultrapassando a então 2ª colocada Marina Silva (REDE). Na pesquisa espontânea Ciro Gomes também registrou crescimento (3 p.p.), passando de 2% para 5%, revelando o bom momento de sua candidatura e, provavelmente, se posicionando como um dos grandes beneficiados com a “herança” da ausência de Lula na disputa presidencial. O mercado financeiro – que já enxergava Ciro como uma “carta fora do baralho” -, provavelmente terá que repensar sua estratégia o que poderá trazer mais volatilidade aos mercados, caso a candidatura de Ciro realmente se consolide.

Marina Silva (REDE) | A grande perdedora da noite. Marina Silva recuou despencou 5 p.p., passando de 16% para 11% das intenções de voto. Embora ainda permaneça empatada tecnicamente com Ciro Gomes e Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa pela vice-liderança, surge nesta pesquisa como a grande “perdedora”. Tal entendimento deve-se não apenas ao fato da sua incapacidade de capturar parte do eleitorado de Lula, que claramente migrou para Ciro (PDT) e para Haddad (PT), mas principalmente pelo fato da sua completa inexistência na pesquisa espontânea de intenção de voto, o que deixa pouco espaço para reversão deste quadro.

Geraldo Alckmin (PSDB) | Será que tempo na TV fará diferença nesta eleição? Apesar de contar com cerca de 44% de todo o horário gratuito de rádio e TV, a candidatura de Geraldo Alckmin praticamente não saiu do lugar, passando de 9% das intenções de voto para 10%, ganho de apenas 1 p.p.. Na pesquisa espontânea Alckmin apresenta a mesma performance, passando de 2% para 3%. Os otimistas dirão que ele está tecnicamente empatado com Ciro Gomes e Marina Silva, o que é verdade, contudo considerando sua enorme exposição no horário gratuito, os resultados obtidos até o momento são insignificantes. Será que tempo na TV bastará desta vez?

Fernando Haddad (PT) | Ainda sob a sombra de Lula. O candidato a “vice” pelo PT, Fernando Haddad, que deve substituir Lula na cabeça de chapa, foi o único a crescer fora da margem de erro, passando para 9%, ante 4% no levantamento anterior, o que o deixa em empate técnico com os demais candidatos. Na pesquisa espontânea Haddad também apresentou crescimento importante, saindo de ~0% para 4% nesta pesquisa, confirmando a expectativa de transferência de votos de Lula para sua candidatura. As apostas dos especialistas neste momento apontam para o crescimento de sua candidatura, com a confirmação do seu nome como o candidato do PT a presidente no lugar de Lula.

REJEIÇÃO | A pesquisa Datafolha apontou ainda que a rejeição a Bolsonaro aumentou em relação ao levantamento anterior, realizada antes de ele ser esfaqueado. O percentual dos que afirmam que não votariam de jeito nenhum no candidato do PSL soma 43%, ante 39% na sondagem anterior. Importante destacar, entretanto, que estes números não são comparáveis, pois o então candidato Lula fazia parte da pesquisa e contava com elevado nível de rejeição. 

Marina é rejeitada por 29% do eleitorado (25% na sondagem anterior); enquanto Alckmin tem 24% de rejeição (26%); Haddad tem 22%de eleitores que não votariam nele de forma alguma, ante 21%, e Ciro é rejeitado por 20%, contra 23%. Aqui mais um indício favorável e importante para a candidatura de Ciro Gomes.

SEGUNDO TURNO | Ciro Gomes (PDT) pode ser a surpresa. Em todas as simulações de 2º turno, Bolsonaro fica atrás de todos os rivais, conseguindo apenas um empate técnico contra Haddad (PT), mas numericamente atrás do petista. O candidato do PSL perderia para Marina (43% a 37%), Alckmin (43% a 34%), Ciro (45% a 35%) e Haddad (39% a 38%), mas neste caso em empate técnico. Haddad, por sua vez, seria derrotado por Alckmin (43% a 29%) e Marina (42% a 31%).

O Datafolha não simulou um segundo turno entre Haddad e Ciro. Em caso de 2º turno entre Ciro e Alckmin, o pedetista aparece numericamente à frente, mas em empata técnico no limite da margem de erro: 39% a 35%. O candidato do PDT derrotaria Marina, 41% a 35%. Um cenário de duelo entre Alckmin e Marina tem empate técnico, com vantagem numérica para a presidenciável da Rede, por 38% a 37%.

O Datafolha ouviu 2.804 pessoas em 197 municípios nesta segunda-feira (10/09). A pesquisa foi realizada em parceria com a TV Globo.

Fonte Original: Folha de São Paulo (Por Ricardo Balthazar)

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