Copel aposta em montar novos eletropostos para desenvolver indústria de carro elétrico

A empresa de energia Copel, do Paraná, quer ser pioneira em criar infraestrutura necessária para a popularização do carro elétrico no país e está apostando no crescimento deste mercado alternativo no Brasil em curto prazo, ao criar novos eletropostos. A companhia já está construindo, no Paraná, a primeira eletrovia do país, entre Paranaguá, no Litoral, e Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai e a Argentina.

Antonio Guetter, presidente da Copel, estima que, pelo menos, 11 eletropostos ainda vão ser inaugurados brevemente. A empresa não quer parar por aí. “E vamos fazer eletrovia de Florianópolis ao Rio de Janeiro também”, disse o executivo, observando que no Brasil a indústria dos carros elétricos ainda não se desenvolveu, mas prevê que a evolução será rápida e o “ boom” do segmento deve ocorrer em 2021.

“Dizem que não existe mercado para carro elétrico no Brasil porque não tem eletroposto, mas não tem eletroposto porque não tem carro elétrico”, brincou. “Vamos montar vários pontos de abastecimento elétrico. É uma tendência sem volta ”.

De acordo com Guetter, o Brasil está atrasado no mercado de carros elétricos, mas o desenvolvimento desta indústria será fundamental para a descarbonização da economia, uma tendência mundial que o Brasil terá que seguir. Nos três postos já inaugurados ao longo da rodovia 277, o abastecimento de 80% da bateria dos automóveis é feito em 20 minutos.

O executivo defendeu a privatização das distribuidoras da Eletrobras e ressaltou que, apesar de a Copel ser uma empresa estatal, tem conseguido se modernizar, reduzindo inclusive o seu quadro de empregados para torná-la mais eficiente. Nos últimos cinco anos, o quadro de funcionário foi encolhido em 1.600 pessoas, substituídas por soluções tecnológicas, disse.

Segundo ele, será inevitável para as distribuidoras que quiserem sobreviver no mercado brasileiro despertarem para a digitalização, a descentralização e a descarbonização da economia com os carros elétricos. Em julho, o governo anunciou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos híbridos e elétricos, do teto de 25% para até 7%, como parte integrante do Rota 2030. O programa, polêmico, foi instituído via Medida Provisória, e precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional para manter a validade. Na indústria, a redução do IPI foi vista como um passo importante para popularizar o carro elétrico no Brasil.

ELETROVIA 277

Em parceria com a Itaipu Binacional, a Copel está implantando, no Paraná, a primeira eletrovia do país. Trata-se de uma rede de pontos de abastecimento para carros elétricos distribuídas ao longo de uma estrada — no caso, da BR-277, que liga Paranaguá, no Litoral, a Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina e o Paraguai.

Os pontos de recarga são distribuídos de forma estratégica, distantes cerca de 100 quilômetros um do outro. Em média, os carros elétricos têm autonomia para rodar 150 quilômetros.

Cada eletroposto fornece 50 kVA – kilovoltampere- de potência, o equivalente a dez chuveiros elétricos ligados ao mesmo tempo. Os três conectores disponíveis são capazes de atender carros elétricos ou híbridos disponíveis no Brasil, como o i3, da BMW;  ZOE, da Renault e outros modelos do mercado.

 

Fontes: Gazeta do Povo e Agência Estado


 

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