Li, recentemente, que o Brasil é considerado um dos países mais ricos do mundo.

Nunca havia pensado nisso antes, mas fica óbvio se pensarmos na extensão territorial, clima perfeito para agricultura permitindo até três safras por ano, água em abundância, potencial energético hídrico, eólico e solar invejável, minérios, petróleo e uma potencial de consumo e de mão de obra de mais de 200 milhões de pessoas. Mas, com tudo isso o País tem uma parcela expressiva da população numa pobreza inadmissível.

Com a crise na política, falta emprego, falta segurança, falta serviços de saúde, mas falta o principal, EDUCAÇÃO. Foi graças à educação que países como Alemanha, Japão, Coréia do Sul, China e muitos outros conseguiram superar destruição e pobreza extrema. Por que não seguimos o mesmo caminho?

Vivemos num país em que a juventude busca um diploma universitário, fazer um MBA e até um Pós-Doutorado! Ótimo para os donos dos institutos que promovem esses cursos, talvez para professores que, mesmo sem muita experiência prática só ensinam teoria, mas péssimos para aqueles que são enganados, que tem diploma, mas pouco aprenderam concretamente.

O Brasil privilegia a universidade e esquece que nenhuma construção para em pé sem alicerces sólidos. Assim, até a pirâmide invertida também não se sustenta. Financiamentos para cursos superiores comprometem a renda futura de quem se quer sabe se vai ter emprego para saldar uma dívida perversa, cujo custo x benefício é questionável. São mais de treze milhões de pessoas sem qualquer expectativa de emprego, desalentados, desesperados.

Em conversa, um professor universitário da área de engenharia me relatou que a faculdade onde trabalha teve que criar o curso de Cálculo Zero, pois mais de 70% dos estudantes do primeiro ano eram reprovados em Cálculo Um, por não saberem os fundamentos básicos da matemática. Acabei sabendo que outras faculdades fazem o mesmo com o português. Os calouros não sabem escrever, e o que é pior, não entendem o que leem. Sim, acaba sendo necessário que as faculdades façam aquilo que os cursos fundamentais não conseguiram fazer, dar um mínimo de base.

Mas infelizmente, na maioria das vezes, as faculdades fecham os olhos e promovem os que pagam mensalidades e vão fornecendo diplomas aos alunos totalmente despreparados, sem conhecimento da própria língua e que é pior, incapazes de raciocinar, de abstração, de usar o intelecto para o que o Homem tem de mais importante, sua capacidade de pensar. Nossos jovens não aprendem a PENSAR! Os pobre coitados enganados perdem seu tempo e o dinheiro suado.

Será que o Brasil precisa de tantos profissionais formados em universidades? Por força do destino trabalhei durante alguns anos num país em que para cada engenheiro diplomado haviam, pelo menos, uns quatro ou cinco tecnólogos ou mesmo técnicos. Nem por isso os salários eram muito diferentes. Cada um era remunerado pela sua contribuição à empresa. Acima de mim, engenheiro diplomado, haviam, pelo menos dois chefes formados em escola técnica, de excelente qualidade. A diferença é que aprenderam a pensar e receberam em seus cursos o conhecimento essencial para serem excelentes profissionais. Não havia a necessidade de buscarem mais cursos sem objetivo concreto, buscavam algo que permitisse melhorar seu desempenho profissional. Iam em busca de aumentar seu grau de especialização, sua empregabilidade como profissionais únicos com grande conhecimento naquilo a que se dedicam.

Nosso ensino fundamental e secundário é, em geral, fraco, ultrapassado, mais baseado na decoreba, do que no raciocínio, no despertar pelo interesse e busca do conhecimento. Professores mau pagos, mau treinados, desmotivados, incapazes de manter um mínimo de disciplina, ameaçados e ofendido por alunos mau educados. O resultado é absolutamente previsível.

Temos que respeitar o Estatuto da Criança e do Adolescente, é uma conquista, mas temos que lembrar que as crianças e os adolescentes não podem ficar ociosos, precisam ocupação. Sempre me lembro das histórias de vice-presidentes e até presidentes de bancos e empresas que “se fizeram” dentro delas. Começaram como contínuos, aos quatorze ou quinze anos e foram crescendo. Aprendemos que os grandes mestres do passado sempre empregavam menores aprendizes que também eles se tornavam mestres. Ninguém quer ver jovens e crianças fazendo trabalho escravo, mas é preciso ocupa-los, dar a eles a chance de terem experiências concretas, aprenderem a ganhar pelo seu próprio esforço. Muito melhor do que perder nossos jovens para as drogas, para o tráfico, ou para o suicídio, quando não veem mais significado no viver.

A Educação é a base de um país. Ela tem que ser valorizada. Não faz sentido termos faculdades não pagas com excelentes professores, que só lecionam para alunos oriundos de boas escolas, em geral pagas. Quotas também não resolvem, é nivelar por baixo. A faculdade deve ser paga, seja ela particular ou pública, pelo simples motivo de que quem a estiver cursando deve valorizar o ensino que recebe. Bom desempenho deve ser retribuído como bolsa de estudos, para todo e qualquer aluno que mereça. A meritocracia deve ser a métrica e não a cor ou origem da pessoa, mas em contrapartida deve-se garantir um excelente curso fundamental e secundário, num esquema que o jovem esteja engajado em algo que desperte o interesse, que o ocupe em tempo integral. Escolas que realmente possam dar oportunidade a quem merece.

Uma das coisas que mais me impressionou em uma viagem à China foi saber que o ensino não é grátis, é pago, em todos os níveis. Num país comunista! Paga-se pouco, muito pouco, mas se paga. Tudo o que vem de graça não tem valor. O Bolsa Família que o diga. Uma ideia boa, provavelmente justa e humanitária, mas que vem gerando uma onda de pessoas que só sabem curtir o ócio, que em nada contribuem para a grandeza do País.

O Brasil e os brasileiros precisam saber valorizar o ensino fundamental, secundário e técnico e desmistificar o ensino superior, trazer a pirâmide para a sua posição sustentável, com seu centro de gravidade bem posicionado. Vai ser um trabalho árduo, demorado e, provavelmente sofrido, mas necessário. A alternativa é continuarmos sendo um país rico de um povo pobre. A quem interessa isso? Não aos brasileiros que amam seu País.

Somente assim, poderemos dar adeus ao desemprego, baixarmos os índices de criminalidade, e nos orgulharmos de bom serviço de saúde. Sem a EDUCAÇÃO jamais conseguiremos reduzir os níveis de criminalidade, inclusive na política. É a educação que dará discernimento ao Povo e permitirá que finalmente escolha bem seus representantes e não se deixe comprar por uma cesta básica ou um salário família disfarçado de compra de votos. Vai demorar, mas vale a pena, não existe outro caminho. Nada é fácil e só graças a muito esforço é que se pode vencer a ignorância, o pior de todos os males.

José Luiz Navarro Frauendorf, Setembro de 2018


 

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