INFO MONEY | Os avanços nas tratativas entre os EUA e a China para o fechamento da fase 1 do acordo comercial entre as duas maiores economias globais deixam os investidores otimistas. Hoje, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, afirmou que as conversas estavam “muito adiantadas”.

Ross também disse na véspera que “muito em breve” as empresas americanas receberiam licenças para vender à Huawei – empresa chinesa que estava em uma lista negra americana por suposta ameaça à segurança nacional. Segundo ele, o Alasca, o Havaí ou a China são lugares onde os presidentes Donald Trump e Xi Jinping poderiam se reunir para assinar o acordo.

No Brasil, o destaque fica para a expectativa do pacote de medidas que o governo do presidente Jair Bolsonaro deverá entregar amanhã ao Congresso. Em entrevista à Folha, o ministro Paulo Guedes afirmou que as medidas farão uma “transformação na máquina pública”.

Já à TV Record, o presidente afirmou que há 80% de chance de sair do PSL e voltou a criticar o governador do Rio e a rede Globo por conta da citação a seu nome no caso do assassinato de Marielle Franco.

Ele acrescentou que o caso não está encerrado e que a PGR deve tomar novamente o depoimento do porteiro para maiores esclarecimentos.

Vale destacar ainda que a B3 funciona com horário estendido a partir desta segunda-feira por conta do fim do horário de verão nos EUA, passando a operar entre 10h e 18h.

Com o novo horário, não haverá after market, que ocorria depois do fechamento e permitia negócios com condições mais restritas de oscilação.

Confira os destaques desta segunda-feira:

1. Bolsas Internacionais

Os mercados internacionais operam de forma positiva, acompanhando os desdobramentos do noticiário em relação aos avanços com a fase 1 do acordo comercial entre EUA e China. Hoje, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, se encontrou com o premiê chinês Li Keqiang, em uma cúpula regional em Bangcoc, segundo a Bloomberg.

Mais cedo, Ross afirmou em um fórum comercial que os EUA estavam “muito adiantados” para fechar o acordo. Segundo ele, essa primeira etapa é “particularmente complicada” e reforçou que os americanos estavam “assegurando que cada lado tenha um entendimento muito correto, claro e detalhado do que cada lado concordou”.

“Estamos em boa forma, estamos fazendo um bom progresso, e não há razão natural para que não possa ser”, disse Ross. “Mas se vai escorregar um pouco, quem sabe. Sempre é possível. Já Trump disse a repórteres na Casa Branca que um acordo comercial, se um for concluído, seria assinado “em algum lugar nos EUA”.

As notícias de hoje se seguem às informações chinesas de sexta-feira de que chegou a um consenso com os EUA sobre as principais preocupações comerciais, após uma ligação entre altos funcionários dos dois países. Já a Casa Branca comunicou que os representantes “fizeram progressos em várias áreas e estão no processo de resolver questões pendentes”.

Os avanços comerciais refletiram nas bolsas asiáticas, que fecharam em alta, e nos principais índices europeus, também operando no terreno positivo.

Entre os indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da zona do euro subiu de 45,7 em setembro – que havia sido o menor nível desde outubro de 2012 – para 45,9 em outubro, segundo pesquisa final divulgada hoje pela IHS Markit.

O resultado final, no entanto, ficou um pouco acima da prévia de outubro e da previsão de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 45,7 em ambos os casos. A leitura abaixo de 50 marcou contração na manufatura do bloco pelo nono mês consecutivo.

Entre as commodities, o futuro de minério de ferro fechou em queda, enquanto os preços do petróleo – que chegaram a registrar perdas durante a madrugada – operavam em alta, nesta manhã, acompanhando o otimismo em relação às conversas comerciais entre EUA e China.

Confira o desempenho dos mercados, segundo cotação das 07h17 (horário de Brasília)

» S&P 500 Futuro (EUA), +0,43%
» Nasdaq Futuro (EUA), +0,53%
» Dow Jones Futuro (EUA), +0,40%

» DAX (Alemanha), +0,97%
» FTSE (Reino Unido), +0,76%
» CAC-40 (França), +0,82%
» FTSE MIB (Itália), +1,13%

» Hang Seng (Hong Kong), +1,65% (fechado)
» Xangai (China), +0,58% (fechado)
» Nikkei (Japão), (fechado por feriado)

» Petróleo WTI, +0,37%, a US$ 56,41 o barril
» Petróleo Brent, +0,45%, a US$ 61,97 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam em queda de 1,20%, cotados a 615,00 iuanes, equivalentes a US$ 87,49 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0286 (-0,11%)

» Bitcoin, US$ 9.214,52, -0,22%

2. Agenda Econômica

No Brasil, o IPC, que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,16% em outubro, ganhando força após ficar estável em setembro e acelerando levemente em relação ao aumento de 0,15% observado na terceira quadrissemana do mês passado, segundo a Fipe. O resultado ficou abaixo do piso das estimativas do consenso do Broadcast, de altas de 0,17% a 0,21%.

Já as 8h25 será a vez do Banco Central divulgar a atualização das projeções do mercado no Boletim Focus. Já às 15h00, serão conhecidos os dados da balança comercial semanal.

Nos EUA, saem os números de encomendas à indústria, tendência de emprego e condições empresariais. No corporativo, são esperados os balanços de Occidental Petroleum, Uber e Groupon, nos Estados Unidos, e da Telefónica, na Europa.

Confira no que ficar de olho durante a semana no InfoMonday:

3. Governo e Congresso

O presidente Jair Bolsonaro pretende ir ao Congresso Nacional amanhã (5) para entregar o conjunto de reformas preparado pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. “A ideia é dar demonstração, como na reforma da Previdência, de que estamos juntos”, disse Bolsonaro, indicando que poderá convidar o presidente do STF, Dias Toffoli, num gesto de “harmonia” entre os Poderes.

Bolsonaro sinalizou ainda que a reforma administrativa – uma das que compõem o conjunto de medidas a ser apresentado – deve acabar com a estabilidade para novos servidores. Apenas algumas carreiras preservarão esse direito. No entanto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem defendido maior prioridade para a reforma tributária, que já começou a tramitar nas duas Casas, embora o governo não tenha enviado um texto próprio.

O presidente evitou dizer qual delas – a tributária ou a administrativa – deveria avançar primeiro. “O que for menos difícil tem que ir na frente. Qualquer uma dessas duas reformas são bem-vindas”, afirmou. “O (ministro da Economia) Paulo Guedes tem a mesma visão minha. O Guedes gostaria que as três já estivessem aprovadas (além das duas, a Previdência). Segundo ele, a diminuição da carga tributária está no radar do ministro, mas não será “de uma hora para outra”.

Ainda sobre as medidas a serem anunciadas, está o novo programa do governo para incentivar a geração de empregos no País, que pretende reduzir o custo das empresas nas contratações de trabalhadores com remuneração de até 1,5 salário mínimo, o equivalente hoje a R$ 1.497,00 mensais, segundo o Estadão.

A equipe econômica pretende impedir que os benefícios sejam destinados a contratações de profissionais que encontram trabalho com maior facilidade. Dessa forma, o novo programa terá uma faixa etária definida. As empresas poderão contratar sob esse novo modelo jovens entre 18 e 29 anos e pessoas acima de 55 anos.

A intenção ainda do governo será livrar ainda as empresas da contribuição patronal para o INSS (de 20% sobre a folha) e as alíquotas do Sistema S, do salário-educação e do Incra. Além disso, a contribuição para o FGTS será de 2%, ante os atuais 8%. Não haverá mudança no valor da multa de 40% em demissão sem justa causa. Assim, o custo das contratações deve cair 32%.

Outra iniciativa será na mudança da fórmula de correção dos débitos em ações trabalhistas, alterando o componente da correção para o juro da poupança, segundo o Estadão. O governo ainda avalia o quanto as medidas liberariam do balanço das empresas, que hoje têm provisões bilionárias devido a ações trabalhistas.

Em entrevista à Folha, Guedes afirma que as medidas a serem encaminhadas ao Congresso farão uma “transformação da máquina pública, que servia a uma ordem politicamente fechada e agora precisa servir à população”. Segundo o ministro, o envio, o trâmite e o arcabouço das medidas é resultado do diálogo entre Executivo e Legislativo.

“Hoje, presidente e Congresso são reformistas. As reforma que vêm aí foram processadas politicamente”, afirmou Guedes na entrevista à Folha. Em relação às cobranças sobre a volta do crescimento, ele afirmou que “foram 30 anos de centro-esquerda. Dá para esperar quatro aninhos de um liberal-democrata?

Se não melhorar, troca, sem intolerância. Mas deu três meses e já começaram: cadê o crescimento? Vamos ser razoáveis. Não é justo”.

4. Bolsonaro fala sobre gravações

O presidente Bolsonaro se pronunciou no final de semana em relação às gravações relacionadas ao caso da citação de seu nome nas investigações pela morte da vereadora Marielle Franco: “Nós pegamos (a gravação), antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha”, declarou Bolsonaro a jornalistas.

A declaração recebeu críticas e acusações ao presidente por obstrução de justiça, com partidos de oposição adiantando que pretendem entrar com representação no STF e PGR. O deputado David Miranda afirmou que a interceptação de provas pode ser classificada como crime de responsabilidade, passível de impeachment, o que será discutido com líderes da oposição durante a semana.

À TV Record, Bolsonaro acrescentou que o caso não está encerrado e que a PGR deve tomar novamente o depoimento do porteiro para maiores esclarecimentos. Já em reportagem, em que consultou peritos criminais e especialistas, o Estadão diz que a análise dos áudios apresentado pelo Ministério Público do Rio não têm valor legal, por ter sido realizada por técnicos e não por peritos oficiais.

Em relação à polêmica sobre um “nova AI-5”, a Coluna do Estadão destaca que os governistas se alarmaram com as repercussões, que “furou a bolha da polarização”, causando reações negativas também entre os eleitores de Bolsonaro. A constatação veio do termômetro das redes sociais. A coluna acrescenta que o timing foi especialmente ruim, pois comemorava-se a reviravolta no caso do porteiro.

Já Bolsonaro reforçou que seu filho, Eduardo, está protegido em relação eventuais penalidades sobre as declarações referentes ao AI-5 por ter imunidade parlamentar. “Para que serve o artigo 53 da Constituição? Lá está escrito que senadores e deputados são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer palavras, opiniões e votos. Ponto final. Eu puxei a orelha dele, porque falou do AI-5. Mas o pessoal aproveita, qualquer coisa que a gente faz, potencializa”, afirmou o presidente à Record.

Ainda sobre a crise com o PSL, o Estadão relata que enviou emissários para saber se o Partido Militar Brasileiro pode ser o seu destino, caso saia da legenda com a qual se elegeu ano passado. Segundo a publicação, a legenda é articulada pelo coordenador da bancada da bala no Congresso, deputado Capitão Augusto (PL-SP), e está em fase final de criação, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Já sobre o episódio dos laranjas, a Folha traz que as três principais candidatas do PSL suspeitas em Pernambuco negaram irregularidades, em depoimento à PF, mas afirmaram que o material feito com dinheiro público ajudou a impulsionar a candidatura de Bolsonaro. Já levantamento do Estadão informa que 20 dos 53 parlamentares do PSL eleitos apresentaram notas fiscais de empresas de fachada para justificar reembolso de R$ 730 mil.

5. Noticiário Corporativo

A Telefônica Vivo reportou lucro líquido de R$ 1,046 bilhão no terceiro trimestre, desempenho 67,1% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. O Ebitda recuou 15,1%, para R$ 4,060 bilhões, enquanto a receita subiu 2,6%, a R$ 11,047 bilhões.

A Petrobras conclui venda da Belem Bioenergia por R$ 24,7 milhões e divulgou o teaser de E&P na bacia de Sergipe-Alagoas. Além disso, a empresa foi notificada a depor em ação penal na Argentina.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

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