A energia elétrica continua sendo a vilã da inflação no Brasil em 2018 e deverá manter este título até o fim do ano. Até mesmo quem tenta economizar, mudando alguns hábitos dentro de casa, não tem conseguido fugir dos valores elevados, embora o consumo consciente seja o principal caminho para minimizar os impactos no bolso.

Mesmo com a inflação sob controle, depois do susto com o colapso nos preços de alimentos e combustíveis em razão da greve dos caminhoneiros há cerca de três meses, a conta de luz, já cheia de encargos tributários, está pesando mais no orçamento das famílias.

Quando olhamos para os gastos com habitação, a energia elétrica se destaca em relação a outros itens, como aluguel, gás de cozinha, água e artigos de limpeza. De janeiro a agosto, a luz do brasileiro já acumula aumento de quase 13%, segundo a última prévia da inflação divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Fortaleza, o avanço é de 8%.

A situação continuará difícil nos próximos meses. Devido às condições hidrológicas desfavoráveis e à redução no nível de armazenamento dos principais reservatórios do País, a bandeira tarifária, que está no patamar vermelho 2 desde junho, quando o consumidor paga R$ 0,05 a mais por cada quilowatt utilizado, vai permanecer assim nos próximos meses.

Não bastasse o cenário já complicado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) poderá autorizar, em breve, aumento de 4,25% na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que concede descontos a consumidores de baixa renda, paga indenizações a empresas e custeia parte do combustível utilizado pelas termelétricas. Caso o reajuste seja aprovado, o rombo no setor será de R$ 1,4 bilhão e, como sempre, custeado pelos brasileiros.

Está na hora de o Governo Federal rever essa política de subsídios, que só prejudica o contribuinte, e encontrar outras alternativas para atender às famílias mais carentes. Por outro lado, também precisa incentivar a entrada de consumidores residenciais no mercado livre de energia elétrica, para aumentar a competitividade do setor e baratear os preços.

Além disso, olhar mais para as fontes renováveis é fundamental para mudar a matriz energética do Brasil. Talvez assim, haja luz no fim do túnel.

Com opinião do colunista, Raone Saraiva, do jornal O POVO de Fortaleza

 

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