Os delegados das Nações Unidas se reúnem em Nova York para negociar uma maior realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Dentre os diversos temas a serem abordados, um deverá ter destaque que é “Garantir o acesso a energia acessível, confiável, sustentável e moderna para todos”.  Segundo o Bloomberg NEF, as novas tecnologias estão tronando esse objetivo mais viável a cada dia,  cabendo aos delegados dfocarem na criação de estruturas financeiras e regulatórias para permitir o desenvolvimento de micro-redes em larga escala.

Num cenário inicial, aproximadamente 365 milhões de pessoas permaneceriam fora até o ano de 2030, apesar do aumento de micro redes e sistemas de energia solar. O custo adicional para garantir o acesso á esta população seria de US$ 191 bilhões.

Como resultado da conferência sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável realizada na sede da ONU em Nova York, a  a Bloomberg NEF publicou uma análise sobre o potencial da energia solar fotovoltáica sem conexão com a rede para atender às demandas de energia das milhões de pessoas que atualmente vivem sem acesso a eletricidade. A análise destaca 5 pontos que indicam que a energia solar fotovoltáica fora da rede será fundamental para universalização da energia.

1. Custos elevados de ligação à rede

O custo da expansão da rede elétrica representa o maior impacto. A análise avalia que pode variar entre US$ 266 e US$ 2.100 por domicílio para estabelecer uma conexão. Este custo tem impactos diferentes e depende do perfil de renda da área, pois em áreas de renda elevada, as famílias estão preparadas para pagar preços adicionais de energia. Além disso, os preços da energia subiriam mais nas áreas de baixa renda, uma vez que as operadoras de rede devem amortizar a instalação com um consumo moderado de energia.

A Bloomberg NEF estima que a energia dos sistemas solares domésticos custa cerca de US$ 1,5 / kWh e, se for proveniente de micro-redes, seria de US$ 0,29-0,77 / kWh. O relatório acrescenta que os custos de eletricidade após uma nova conexão seriam de US$ 1 / kWh, portanto, maiores do que os custos de energia se uma micro-rede for implementada.

2. Mercado de US$ 64 bilhões para 2030

Segundo os analistas, o mercado de sistemas solares em residências e micro-redes deverá adicionar até US$ 64 bilhões até 2030. Cerca de 15% das pessoas que não têm acesso à eletricidade vivem em áreas urbanas, assim as empresas de serviços se concentrariam em estender as redes para essas áreas.

No entanto, até meados da década de 2020, as tecnologias descentralizadas teriam criado cadeias de suprimento e os componentes seriam mais baratos. Além disso, nesse ponto, haveria menos regiões em que a competição entre a extensão da rede e as micro-redes é economicamente viável. Com base nessas suposições, a equipe da Bloomberg argumenta que dos 238 milhões de residências que poderiam receber suprimentos de eletricidade até 2030, 72 milhões usariam sistemas solares domésticos e 34 milhões receberiam energia de micro-redes.

3. Mais barato do que o esperado

Os analistas da Bloomberg NEF estimam que o fornecimento de eletricidade universal poderia ser alcançado a um custo de US$ 353 bilhões, o que é quase metade do que a AIE estimou em outra ocasião. No entanto, os mesmos apontam que a AIE atribui um papel fundamental às micro-redes na obtenção de suprimento de energia universal. Segundo analistas, a IEA estima que os custos do sistema estão acima dos custos atuais do mercado.

4. O desenvolvimento de microgrids tornou-se comercial

Grandes companhias de petróleo e energia, como a Shell, possuem equipamentos internos para construir micro-redes e vender sistemas solares domésticos de larga escala. Segundo o relatório, seis das 20 maiores empresas de petróleo e energia se comprometeram a fornecer 52 milhões de pessoas com acesso a energia até 2020. Analistas apontam que esses esforços derivam da caridade, mas surgem dos planos rígidos de desenvolvimento comercial para mercados emergentes.

5. O setor privado permite esse potencial

A análise conclui afirmando que a mudança de geração de energia de sistemas centralizados para sistemas descentralizados sem conexão com a rede teria um efeito profundo na maneira como os sistemas elétricos são implementados, melhorados e mantidos. Essa mudança abre um nicho para o empreendimento preencher. De acordo com a análise do Bloomberg NEF, as formas pelas quais a energia é comercializada e distribuída podem ser completamente reinventadas e otimizadas. De acordo com os cálculos dos analistas, a adição de cargas diurnas de atividades agrícolas, como irrigação ou refrigeração, poderia reduzir o custo.

Conteúdo: BNEF Bloonberg


 

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