Entramos definitivamente na era das energias renováveis com preços competitivos. O mundo todo inaugurou a construção em massa de usinas eólicas, fotovoltaicas e a com biomasssa a base de pesados subsídios, sem entrar aqui no mérito dessa questão, o ponto é que isso possibilitou  ganhos de escala e um barateamento que permitiu sua difusão ao longo do mundo, e o Brasil se inclui. Todos os que acompanharam os últimos leilões A-4 e A-6 de 2017 impressionaram-se com os preços baixos do certame, tomando-se o A-4 de 18 de dezembro, tivemos preços médios em R$/MWh de 108,00 para eólica, 146,00 para solar fotovoltaica, 182,00 das PCHs e 235,00 para biomassa, chama especial atenção o fato de que as fontes eólicas e fotovoltaicas se encontram agora substancialmente mais baratas do que as PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas).

Recentemente grandes grupos que possuem planos de expandir no país sua atuação em geração fotovoltaica já mencionam a possibilidade de produzir essa energia em menor escala para a GD (Geração Distribuída) numa faixa de custo entre R$ 100,00 a 120,00/MWh, utilizando “tracker” (os seguidores solares), atingindo um fator de capacidade de 25% contra os atuais 16% a 17%. Juntamente com essa evolução em competitividade temos um Projeto de Lei em curso e que em breve deverá ser apreciado pelo Congresso Nacional, iniciando uma revolução na regulação do setor elétrico.

Os consumidores Brasileiros ainda são majoritariamente passivos em seus contratos com as Distribuidoras de Energia, na formatação atual ainda estamos longe de termos as mesmas possibilidades do que um alemão, americano ou português. Nesses mercados os consumidores da baixa tensão têm acesso às mesmas possibilidades que os consumidores livres têm no Brasil, podem selecionar o gerador, pré-pagar energia, realizar operações de “swap” e comercializar seus excedentes ou déficits caso sejam autoprodutores. Embora o PL nos coloque na direção dessas mudanças, não chegaremos lá tão cedo, mas sem dúvida a rota será essa. Questões como a separação entre lastro e energia, a tarifa binômia e as novas regras para contabilização horária do PLD trarão desafios relevantes no gerenciamento da energia elétrica, notadamente para os consumidores de alta tensão. Cada vez mais o setor elétrico estará próximo do financeiro, as operações de liquidação de energia feitas hoje ganharão contornos de produtos financeiros. Esse aumento na sofisticação das operações demandará um período de reeducação e adaptação dos atores de mercado, ao mesmo tempo abrirá um campo ilimitado para criação de novos produtos e serviços que hoje sequer imaginamos.

Novas tecnologias estão se desenvolvendo rapidamente, com especial destaque para o armazenamento em uma nova geração de baterias de alta capacidade e alto rendimento, e quando combinadas com as fontes intermitentes como solar e eólica terão um papel fundamental no salto rumo a prevalência das energias renováveis. Os carros elétricos virão e serão realidade nas ruas do mundo, e aqui no Brasil não será diferente. Pairam discussões pouco realistas de que os carros elétricos não se encaixam em locais onde a energia provém do carvão ou de usinas térmicas, porém isso não encontra respaldo, motores a combustão tem rendimento pouco maior do que 20%, enquanto isso usinas térmicas de ciclo combinado chegam a 70%, o que significa que distribuir a energia elétrica pode sim ser mais eficiente do que a cadeia tradicional dos motores convencionais a combustão e sua cadeia de distribuição de combustíveis.

Em um futuro próximo poderemos chegar em casa com um carro elétrico e, se a bateria ainda tiver carga, será possível abrir um aplicativo onde avaliaremos as opções de se vender essa energia excedente para a rede e depois recompra-la de madrugada, quando o preço estiver menor, e sair pela manhã com o carro inteiramente recarregado embolsando um ganho financeiro com a operação. A mesma lógica pode ser aplicada ao longo do expediente de trabalho, quando milhares de veículos elétricos parados e plugados a rede  podem se tornar uma fonte de energia de reserva relevante, evitando o despacho de usinas térmicas caras e poluentes. As novas regulações em planejamento já consideram leilões de armazenamento para essas situações, onde investidores poderão criar grandes operações em centros de armazenamento em baterias.

Nesse mundo de novidades do setor elétrico nasce a Pontoon, empresa que será parte dessa revolução. Trata-se uma iniciativa inovadora que combinará educação, desenvolvimento de novos produtos e tecnologia em um único “market place”, acessível dinâmico e amigável, onde os participantes do setor encontrarão tudo o que precisam para que se desenvolvam e explorem as oportunidades. É com muita satisfação que escrevo esse primeiro de muitos artigos, já com a certeza de que outros virão e contribuirão para que todos encontremos a inteligência necessária em um só lugar, aqui na Pontoon.


Alex Pomilio


Especialista em Gestão de Energia Elétrica

Conselheiro Consultivo de empresas industriais e de energia

Business Partner da Wave Corp. SA

Consultor Independente em Gestão e Estratégia de Negócios


 

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Alex Pomílio
Atua em consultoria na área de gestão estratégica, com foco principal em questões ligadas ao setor de energia elétrica, indústrias elétro intensivas e energo intensivas. Avaliação de projetos de investimentos em projetos de geração e comercialização de energia elétrica, “Project Finance”, financiamento e estruturações na área. Atua também em processos de reorganização estratégica de empresas, fusões e aquisições. • MBA em Gestão de Energia Elétrica na FIA-USP (em curso) • Pós-Graduação em Administração de Empresas pela FGV-SP • Pós-Graduação em Economia Industrial pela UNICAMP • Cursos internacionais em Estratégia e Desenvolvimento de Negócios pela Columbia University de Nova Iorque e IMD na Suiça • Engenheiro de Materiais pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) com especialização em Ciência de Polímeros • Atualmente Conselheiro Consultivo da Pisa Indústria de Papéis, Nórdica Energia e BO Paper (antiga Stora Enso Arapoti) e “Business Partner” da Wave Corporation, atuando no desenvolvimento de negócios focado em Energia Elétrica • Foi Diretor Geral da Pisa Indústria de Papéis, Nórdica Energia e BO Paper, tendo passado nesse mesmo grupo pelas posições de Diretor de Vendas, Diretor de Energia e Novos Negócios e Diretor de Relações Externas • Foi Diretor Geral da Magna International do Brasil e anteriormente Diretor de Vendas e Engenharia para América do Sul • Executivo de outras empresas como Delphi Automotive (ainda no Grupo General Motors e Plascar Autopeças)

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