“O Brasil está entrando em 2018 com crescimento forte e sólido da economia, que alcança todos os setores, e a projeção é de que o PIB cresça 3% em 2018. Tudo indica que teremos um ano forte”, afirmou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (1º/3) para comentar o resultado do PIB de 2017 divulgado pelo IBGE. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1% em 2017, alcançando R$ 6,6 trilhões em valores correntes, após dois anos consecutivos de variação negativa de 3,5% em 2015 e 2016.

O ministro disse que o país está entrando estruturado no ano eleitoral, com inflação baixa, crescimento sólido, cumprindo o teto de gastos e a meta fiscal, mas reforçou a necessidade de aprovação da Reforma da Previdência no longo prazo. “A reforma não é uma opção. É preciso haver confiança de que ela seja votada e aprovada. A questão é quando”, completou.

Para Meirelles, o resultado de 2017 veio dentro das expectativas, uma vez que a expansão da atividade econômica atingiu o ponto mínimo em meados de 2016 e passou a apresentar variação positiva desde então. Mesmo na comparação da evolução trimestral do PIB, houve crescimento positivo em todos os trimestres de 2017, se confrontados com os respectivos semestres do ano anterior.

O ministro avaliou que o crescimento da economia é “sólido” por alcançar todos os componentes do PIB, tanto pelo lado da oferta – indústria e serviços – quanto em relação às variáveis da demanda – consumo das famílias, investimentos do setor privado e consumo do governo.

O crescimento foi significativo no investimento em bens de capital e no consumo de bens duráveis. Meirelles explicou que a evolução dos indicadores de consumo de bens duráveis funciona como espécie de “investimento das famílias”, devido ao longo período de usufruto e à possibilidade de financiar o pagamento e que, por isso, são também indicativos perspectiva de crescimento pelos agentes econômicos. Ele também lembrou que o consumo do governo foi menor que o das famílias por causa do teto de gastos que vai reduzir o porcentual de gastos do governo nos próximos dez anos. “Com a redução do consumo do governo, haverá mais recursos para investimentos do setor privado”, disse.

O investimento em construção civil, apesar das variações durante 2017, fechou o último trimestre do ano com crescimento positivo. O ministro explicou que a defasagem na recuperação deste setor deve-se ao estoque de imóveis novos acumulados em anos anteriores que não haviam sido ainda vendidos. Além disso, quase a totalidade dos investimentos do setor se realiza em período superior a um ano.

A expansão de todos os componentes de oferta e de demanda, a compensação da queda do consumo do governo em parte pelo aumento do investimento do setor privado, o aumento no consumo de duráveis, o nível de confiança elevado e a continuidade da expansão da área plantada do setor agrícola estão entre os indicadores que o ministro considerou para quantificar a expectativa de crescimento da economia brasileira de 2018 em 3% do PIB.

Setores que “puxaram” o crescimento do PIB

Segundo os dados do IBGE, agropecuária foi o setor que em termos relativos apresentou o maior crescimento em 2017, alcançando 13% de crescimento no ano em relação a 2016. Os principais responsáveis pelo crescimento do setor foram a soja (+19,4%); o milho (+55,2%) e a laranja (+8,2%).

Outro destaque no PIB de 2017 foi o setor de indústrias extrativas, que cresceu 4,3%, principalmente, com destaque para a expansão nas extrações de petróleo e gás e também na de minérios ferrosos. Comércio, indústria de transformação e atividades imobiliárias cresceram, respectivamente, 1,8%; 1,7% e 1,1%.

Sazonalidade econômica de 2017

Dois fatores podem ser destacados na variação entre 2016 e 2017.  Por um lado, a possibilidade de antecipação do FGTS em 2017, que acabou por antecipar também o consumo e, com isso, impactou principalmente no consumo das famílias. A antecipação esteve concentrada no primeiro semestre do ano.

Por outro lado, vem sendo sinalizado nos indicadores econômicos, principalmente nos do quarto trimestre, o impacto da “Black Friday” (Dia do Consumidor) – o que vem exigindo a revisão das fórmulas de mitigação da sazonalidade intra-anual.


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