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Apesar da recente deterioração do cenário político e das dúvidas em relação a economia, o relatório dessa semana (17 a 24 de agosto) não trouxe grandes alterações nas principais variáveis econômicas: IPCA (+4,1%), PIB (+1,49%), Taxa de Câmbio (R$3,70/USD) e Taxa Selic (6,50% a.a.).

FOCUS Relatório de Expectativas de Mercado

Fonte: Banco Central

Preços administrados em elevação

Os dados listados acima representam a mediana das expectativas de mercado. Uma análise mais ampla da pesquisa indica uma alteração significativa entre os agentes de mercado: enquanto a mediana das expectativas da variação dos preços administrados sofreu apenas uma pequena alteração, de 7,0% para 7,1% a.a., o valor máximo da variação dos preços administrados projetada para o 2018 aumentou de 8,0% para 10,5% a.a..

Apesar de mostrar apenas o valor extremo da pesquisa, vale a pena fazermos alguns comentários sobre esse indicador.

Tarifa de energia é o principal “vilão”

A análise da Pontoon-e tem um foco especial na variação dos preços administrados, por vários motivos.

Em primeiro lugar, as tarifas de energia elétrica residencial, um dos principais focos da análise da Pontoon-e, são um dos dois principais componentes dos preços administrados, junto com o preço da gasolina. Em segundo lugar, em grande parte devido ao ainda reduzido nível da atividade econômica, os preços administrados tem sidos os principais componentes impulsionando a aceleração recente do IPCA.

Além disso, a perspectiva para esse componente da inflação permanece sendo o de elevação dos preços, pois será nele que cairá o impacto dos próximos reajustes tarifários das distribuidoras, bem como bandeiras tarifárias.

Sem espaço para novas reduções na taxa de juros

Podemos concluir que perspectiva de uma elevação da variação dos preços administrados é um cenário possível, principalmente se considerarmos seus dois componentes mais importantes.

Em primeiro lugar, como notamos acima, e como a Pontoon-e já ressaltou em diversas análises e artigos, os próximos meses ainda registrarão reajustes tarifários de diversas distribuidoras de energia elétrica. Além disso, o cenário da economia mundial parece caminhar para mais volatilidade e aumento da percepção de risco dos países emergentes.

Isso tende a impactar a já desvalorizada taxa de câmbio, e, por consequência, o preço dos produtos importados, em especial o preço do petróleo e da gasolina. A principal consequência dessa elevação de preços seria a convergência da taxa de inflação para o centro da meta (4,5% a.a.), o que tornaria improvável qualquer redução adicional da taxa de juros, independente da pressão de diversos segmentos para políticas de aceleração da atividade econômica.

Duas das variáveis mencionadas acima, a taxa de câmbio, e a retomada do crescimento econômico, são outros pontos com relação ao qual os agentes econômicos devem prestar atenção redobrada nos próximos meses.

R$/US$ | Convergência da Expectativa de Mercado & PTAX  
Fonte: Banco Central

Nos últimos meses, o cenário econômico mundial tem sido marcado pela volatilidade das taxas de câmbio, com uma severa apreciação do dólar americano com relação às outras moedas. A economia brasileira sofre uma versão “anabolizada” desse fenômeno, apesar da economia brasileira apresentar fundamentos sólidos com relação a riscos externos: à volatilidade do mercado internacional, junta-se a eleição presidencial de outubro (o segundo turno da eleição ocorrerá no dia 28). No cenário atual, devido às pesquisas que indicam a ausência de candidatos “bem-vistos” pelo mercado entre os preferidos dos eleitores, é natural esperar que até o final de outubro o real esteja entre as moedas de maior volatilidade no planeta.


 

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