Valor Econômico (Por Camila Maia e Rodrigo Polito) | O governo realiza amanhã um leilão de energia do tipo A-4, que contratará projetos novos de geração com início do fornecimento em 2022. Enquanto há mais de 47 gigawatts (GW) em projetos cadastrados para a disputa, a demanda das distribuidoras deve ser novamente baixa, achatando os preços, como aconteceu no certame realizado em dezembro.

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O Leilão A-4 agendado para amanhã (04/Abr) em São Paulo está cercado de grande expectativa. Embora não haja grande surpresa no número de projetos cadastrados – que totalizam 47 GW -, mais uma vez deveremos observar uma forte redução nos preços tetos. Nossas simulações apontam para deságios de dois dígitos em todas as fontes.

Para os projetos hidráulicos e de biomassa, acreditamos em deságios superiores a 30%, enquanto que para os projetos eólicos e solares este deságio poderá superar a faixa dos 60%. De uma forma geral os principais “drivers” deste cenário de forte competição são:

(i) Fraca demanda por energia nova: As projeções da Pontoon-e apontam para uma demanda por energia nova em 2022 de ~300 MW médios. Tal cenário está diretamente atrelado a forte queda do PIB em 2015 e 2016, como também à modesta recuperação da economia em 2017 e 2018.

(ii) Forte redução do custo da energia eólica e solar: A melhor forma de demonstrar esta realidade é a análise da redução do investimento da fonte solar. O custo do MW instalado de fonte solar declinou de R$10 milhões/MW em 2014, para cerca de R$3 milhões/MW para este leilão. Temos ouvido a possibilidade de números inferiores a este patamar (R$2,8 milhões/MW). Outro fator que contribui para isto é a maior eficiência destes projetos, que culminam em garantias físicas mais elevadas.

(iii) Melhores condições de financiamento e menor custo de capital: A recente redução das taxas de juros no Brasil culminou em uma sensível redução no custo de capital de terceiros (Kd) – dívida -, como também no custo do capital própio (Ke) das empresas, principalmente quando consideramos projetos de infraestrutura com prazo de concessão bastante alongados.

Como resultado desta combinação de fatores devemos esperar projetos com taxa interna de retorno (TIR) entre 6% e 7% em termos reais, o que começa a indicar uma faixa de risco para os investidores.

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