Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro variou 0,48%, acima da taxa de -0,09% registrada em agosto, anunciou hoje (5), no Rio de Janeiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este resultado é o maior para um mês de setembro desde 2015, quando o IPCA registrou 0,54%. O acumulado no ano ficou em 3,34%, acima do 1,78% registrado em igual período do ano passado. Na ótica dos últimos doze meses, o índice ficou em 4,53%, acima dos 4,19% dos 12 meses imediatamente anteriores. O índice do mês passado também foi maior que a de setembro de 2017, quando ele havia atingido 0,16%.

O indicador é a medida oficial de inflação do país, pois é utilizada pelo Banco Central para registrar a meta de inflação.

O grupo Transportes teve o maior impacto no IPCA de setembro, porque apresentou alta de 1,69% após queda de 1,22% em agosto. A variação foi puxada pelos combustíveis e foi a maior para um mês de setembro desde o início do Plano Real, em 1994.

O grupo Habitação foi responsável pelo segundo maior impacto na inflação de setembro, com alta de 0,37%. Aprincipal influência veio da energia elétrica (0,46%). Houve reajuste nas tarifas nas seguintes áreas: 16,94% em São Luís (12,72%) a partir de 28 de agosto; 12,00% em Belém (1,09%) e 15,98% em Vitória (5,97%), ambos em vigor desde 07 de agosto. As demais regiões pesquisadas variaram entre os -6,20% da região metropolitana de Belo Horizonte e o 1,74% da de Porto Alegre, em razão dos aumentos ou reduções nas alíquotas de PIS/COFINS.

“Energia elétrica subiu, taxa de água e esgoto subiu. Todos esses custos o empresário acaba passando para o setor final”, explicou o gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, Fernando Gonçalves.

Cabe destacar que, desde junho, encontra-se em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2, com a cobrança adicional de R$0,05 por kwh consumido.

A taxa de água e esgoto variou em quatro capitais e gerou uma inflação de 0,3%.

Peso da gasolina

Entre os combustíveis pesquisados, apenas o gás veicular teve uma desaceleração de preços.

A gasolina saiu de -1,45% em agosto para 3,94% em setembro, o etanol foi de -4,69% para 5,42% e o óleo diesel, de -0,29% para 6,91%.

O reajuste do diesel – 13% nas refinarias em 31 de agosto – impactou o consumidor final e a taxa de combustíveis, disse Gonçalves.

As passagens aéreas também puxaram a inflação dos transportes com uma alta de 16,81%, invertendo o sentido da variação de preços de agosto, que havia sido de -26,12%.

Outro grupo que está entre as principais despesas das famílias é o de alimentos e bebidas, que, junto com os transportes, soma uma fatia de 43% dos gastos.

Em setembro, esse grupo teve alta de 0,1%, após dois meses seguidos de queda. As frutas (4,42%), arroz (2,16%) e o pão francês (0,96%) contribuíram para a elevação de preços.

Alimentação tem alta de 0,29%

A alimentação fora de casa teve uma alta de 0,29% em setembro, enquanto a alimentação em casa não variou.

buffetcrush / Pixabay

A inflação acumula em 12 meses uma variação maior em São Paulo (5,30%), Porto Alegre (5,23%) e Rio de Janeiro (4,62%).

Juntas, as três capitais têm peso de metade do índice nacional. A menor inflação do país está em Aracaju, com 1,74% de variação em 12 meses.

No mês de setembro, a taxa mais elevada foi em Brasília, que variou 1,06%, seguida de Vitória, com 0,88% e São Luís, 0,72%. São Paulo teve inflação de 0,61% em setembro.

Com a inflação acumulada em 4,53% em 12 meses, o índice fica ligeiramente acima do centro da meta do governo, que é de 4,5%.

No início do ano, a taxa chegou a ficar abaixo dos 3%, por conta da influência da safra do ano passado, que baixou o preço dos alimentos e gerou taxas negativas no grupo durante vários meses.

“Essas taxas negativas estão ficando para trás e sendo substituídas por outras em 2018”, explica Gonçalves. Ele destaca também a alta do dólar durante o ano, as incertezas com a eleição e a greve dos caminhoneiros como fatores que contribuíram para que o índice acumulado aumentasse.

Fonte: IBGE (link e link) e Agência Brasil (link).


 

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