BRASÍLIA (Reuters) | O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reforçou nesta terça-feira a mensagem de política monetária, de novo corte da Selic em maio e fim do ciclo de afrouxamento monetário em seguida, se o cenário base da autoridade monetária não se alterar.

Ilan repetiu, ao fazer sua apresentação em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o cenário externo ainda se mostra favorável e tem contribuído, até o momento, para manter o apetite ao risco em relação aos países emergentes, mas que não se pode contar “com essa situação perpetuamente”.

Os recentes reajustes nas tarifas das distribuidoras que compõe o IPCA – Ampla (RJ) +26,64%, Light (RJ) + 15,00% e Enersul (MS) +13,92% – tem contribuído para aumentar a percepção de risco de uma inflação acima do esperado, reforçando a tese de paralisação do ciclo de redução da taxa de juros no Brasil. Ao longo dos próximos meses, estimamos reajustes tarifários pesados (reajustes de dois dígitos), o que certamente consolidará este cenário de uma política monetária mais restritiva. A proximidade das eleições presidenciais, aliada a crescente incerteza política, pode implicar em uma desvalorização mais acentuada do real e, consequentemente, em uma elevação dos custos com a compra de energia de Itaipu, que tem seus preços denominados em dólares. O crescimento destes custos não gerenciáveis, se confirmados, implicaria no repasse destes custos às tarifas e, portanto, para o IPCA.

As projeções da Pontoon-e apontam para um reajuste médio nas tarifas das 17 distribuidoras que compõe o IPCA de +15,84%, muito acima dos 4,9% registrados em 2017. Como resultado a Pontoon-e estima que o impacto direto das tarifas de distribuição de energia em 2018 no IPCA totaliza 0,53%. Dentre as 17 empresas que compõe o IPCA, os destaques negativos são: (i) Light (+15,00%); (ii) Cemig (+20,80%); (iii) Eletropaulo (+13,82%); e (iv) Copel (+16,41%).

Vale destacar que para estas e outras distribuidoras com aniversário de contrato no segundo semestre, o ritmo de reajuste dependerá do volume de chuvas nos próximos meses e do preço spot de energia. “O viés é de alta, mas vai depender da janela de CVA. Também merece destaque, o risco real de bandeira tarifária vermelha 1 a partir de junho deste ano, o que implicará em um reajuste adicional médio de +6,7% nas tarifas para cobrir os custos relativos a déficit hidráulico (GSF), despacho termelétrico, além de outros.

 


 

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