O banco BTG pactual acaba de lançar a primeira pesquisa presidencial realizada pela FSB para o banco divulgada nesta segunda-feira, 3/set¹, após o início da propaganda eleitoral na televisão e depois da impugnação da candidatura do candidato Lula pelo TSE.

Quer queira ou não (o choro é livre!), Lula está inelegível apesar do voto incompreensível do Ministro Edson Fachin. Justamente um dos relatores da Lava Jato.

Alguns pontos merecem ser destacados, os quais talvez possam afetar significativamente alguns ativos de risco daqui para frente.

Logo no início da pesquisa percebe-se que o candidato Bolsonaro se consolida em primeiro lugar com 26% das intenções de votos em um cenário sem Haddad, ao passo que este último apresenta uma intenção de voto pelos eleitores pesquisados de apenas 6%. Mas não para por aí. Se analisarmos mais a fundo a pesquisa, onde o FSB pergunta: “se o ex-presidente Lula não puder ser candidato e apoiar Fernando Haddad como candidato a presidente do Brasil, você diria que votaria com certeza, poderia votar ou não votaria de jeito nenhum em Fernando Haddad?”.

A surpresa está logo na página 24 da pesquisa. Dos entrevistados, 19% disseram que votariam com certeza em Haddad e 14% que poderiam votar. Ora se assumirmos que 50% desses indecisos passem a apoiar Haddad, após ser ungido por Lula, então, muito provavelmente teríamos uma enorme polarização no segundo turno com Haddad vs Bolsonaro. Acalmem-se com as torcidas.

Não adianta surtarem, gritarem e chamarem esse ou aquele analista de esquerdopatas, bocós, marxistas, leninistas, maoístas, stalinistas, traidores da pátria, coxinha, mortadela, ou qualquer outro adjetivo que mostra nitidamente o suprassumo da superioridade intelectual de quem as profere.  Ainda estamos analisando os fatos. Guardem suas bandeiras para a eleição e suas fotinhos com vendedores de miçangas na Av. Paulista ou junto à policiais fardados, mostrando o quanto gostam que o mito é melhor para governar o país com mais segurança e “porrada e bomba” ou com o semideus e seus zumbis seguidores.

Em um cenário como esse de Haddad vs Bolsonaro no segundo turno, muito provavelmente eleitores ou pelo menos os candidatos, Marina, Ciro Gomes e até o líder do PSDB, FHC, passariam a apoiar o candidato Haddad, como já dito por ele mesmo, como forma de combater o mito, tornando essa eleição um déjà vu da anterior.

Mas quais seriam as políticas implementadas por um novo governo petista? Tento analisá-las e às vezes sinto que nada aprenderam. Buscam defender a participação maior do Estado, dos bancos públicos, culpando os banqueiros, prometendo tributar altos spreads, fortunas e heranças. E o pior é que essas bobagens acabam atraindo grande parte do eleitorado que vive em um país onde ter lucro é crime. Paciência.

Um país que amparou grande parte da contrarreforma católica na América Latina, rejeitando em grande parte o Luteranismo que dignificava o trabalho como uma dádiva de Deus e não a dignidade do homem como um obrigação a ser conferida por aqueles que conquistava seu lugar ao sol com trabalho honesto, acaba tendo de explicar acanhadamente seus proventos muitas vezes para uma plateia invejosa, que conta com o apoio da igreja católica. Enfim, heranças!

Mas voltando a assuntos mais mundanos, alguns ainda defendem a bala de prata ou na realidade de festim e bem fajuta como a solução para nossos problemas fiscais.

Como li no artigo do Estadão de 03 de setembro do colunista Luis Eduardo Assis² (ex-BACEN), as propostas de alguns candidatos que pedem mais Estado e mais utilização de bancos públicos, além de ignorarem o risco fiscal, soam como “ir ao médico e ouvir que o remédio é se divertir mais”. É a receita para o mais retumbante e pasmem, novo desastre econômico.

Não aprenderam nada? Enfim, as vezes por incrível que pareça ainda me surpreendo com tantas bobagens.

Mas e a proposta de zerar o déficit fiscal em 1 ano, como proposto pelo economista de alcunha “posto Ipiranga” batizado pelo outro candidato? Alguma dúvida que iremos reeleger de 85% a 90% dos atuais congressistas? Será que conseguiríamos aprovar todas essas privatizações e faze-las a toque de caixa? Geralmente esses processos de privatizações requerem estudos de dois consórcios de modo a determinarem o valor justo a ser vendido, reunião com acionistas minoritários, empregados, etc.  Mas no calor da campanha, vale tudo.

Enfim, parece que o bom senso que achávamos que havíamos recuperado continua completamente desnorteado. E isso certamente deverá refletir nos preços de ativos de risco.

¹ https://pontoon-e.com/wp-content/uploads/2018/09/BTG-Pactual-Rodada-FS2-divulgação-03.pdf

²https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,agora-tudo-e-facil,70002485237

 

 

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Roberto Dumas
Mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro. Trabalhou em instituições renomadas (UBS, Citigroup, Lloyds Bank e Itaú BBA). De 2007 a 2011 representou o banco Itaú BBA em Shanghai. Também atuou no banco dos BRICS em Shanghai (New Development Bank) na área de operações estruturadas e risco de crédito. Dumas é Mestre em Economia pela Universidade de Birmingham na Inglaterra. Mestre em Economia Chinesa pela Universidade de Fudan (China). Graduado e pós-graduado em administração e economia de empresas pela FGV e Chartered Financial Analyst conferido pelo CFA Institute (USA). Professor de Economia Internacional e Economia Chinesa do INSPER, IBMEC São Paulo, Fundação Instituto de Administração (FIA-USP) e Saint Paul Business School. Professor Convidado da China Europe International Business School (CEIBS) e Fudan University (China).

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