A economia brasileira deve crescer menos em 2018 e no próximo ano, de acordo com atualização de estimativas do relatório de Perspectiva Econômica Mundial (“World Economic Outlook, October 2018”, disponível – em inglês, espanho, francês e 4 outras línguas, mas não em português – nesse link) do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado hoje (9).

A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, ficou em 1,4% este ano, com redução de 0,4 ponto percentual em relação a julho. Para o próximo ano, a projeção também foi reduzida, de 2,5% para 2,4%.

 

greve dos caminhoneiros
Greve dos caminhoneiros teve reflexos diretos na economia brasileira, disse o FMI  (Arquivo/Thomaz Silva/Agência Brasil)

Segundo o FMI, a economia brasileira crescerá nesses dois anos devido à recuperação da demanda privada, “conforme o hiato do produto seja reduzido”. No relatório, o Fundo cita o efeito da greve dos caminhoneiros, com redução da projeção para o PIB deste ano em relação ao estimado em abril.

“O crescimento projetado para 2018 é menor do que no relatório de abril (“World Economic Outlook, April 2018”, link) em 0,9 ponto percentual devido a interrupções causadas pela greve dos caminhoneiros em todo o país e condições financeiras externas mais apertadas, que são fonte de risco para as perspectivas”, diz o relatório. “A médio prazo” (2023), a expectativa do FMI é de crescimento anual de 2,2%.

Inflação

Para o FMI, a inflação deve chegar a 3,7% este ano e a 4,2% em 2019. O Fundo ressalta a queda no núcleo da inflação, para 2,5%, compatível com as estimativas do Relatório de Inflação de junho de 2018 do Banco Central (vide quadro “Novas medidas de núcleo da inflação”, link), mas não incorporou a elevação nas diversas medidas de núcleo de inflação no trimestre encerrado em agosto, registradas no Relatório de Inflação de setembro de 2018 (link). O Fundo avalia que a política monetária continuará acomodativa, de apoio ao crescimento, e a inflação dos preços dos alimentos vai se recuperar após uma queda causada por uma colheita excepcional em 2017, levando a inflação a convergir gradualmente em direção ao centro da meta do Banco Central.

O FMI reconhece que desemprego permanece alto (taxa de 11,8% em 2018), e prevê uma redução lenta e gradual, para 10,7% em 2019. Avanços recentes na flexibilização das leis trabalhistas e reformas para reduzir o crédito subsidiado foram elogiados, mas é ressaltado que mais reformas são necessárias para elevar a produtividade, incluindo implementação efetiva de medidas anti-corrupção e contra a lavagem de dinheiro, investimentos em infra-estrutura, e melhorias na intermediação financeira. Apesar da severidade da recessão de 2015-2016, a resiliência do setor financeiro é reconhecida, mas é notado que o crédito bancário ainda permanece estagnado, principalmente para empresas não-financeiras. É notado que reformas recentes fortaleceram a supervisão e regulamentação financeira, mas vulnerabilidades remanescentes, que incluem alta exposição ao risco, empréstimos em reestruturação, risco-país e risco de transferência etc tem que ser abordadas, e a rede de seguridade social tem que ser fortalecida.

No relatório, o FMI acrescenta que a consolidação fiscal é uma prioridade no Brasil. “A reforma da Previdência é essencial para assegurar sustentabilidade fiscal e garantir justiça, dado que as despesas previdenciárias são altas e crescentes e as aposentadorias são indevidamente generosas para alguns segmentos da população”, diz o documento.

O FMI defende também que o regime fiscal seja fortalecido, inclusive através do aumento na flexibilidade orçamentária. “Também será necessário continuar contendo a folha salarial do governo, harmonizando os regimes tributários federais e estaduais e melhorando as finanças dos governos subnacionais, protegendo ao mesmo tempo programas sociais eficazes”, destacou o Fundo.

Fonte: Agência Brasil (link), FMI (link), Relatório de Inflação do Banco Central (link e link).


 

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