*Produzido por Olívia Bulla

O feriado mais importante nos Estados Unidos – Thanksgiving – é celebrado hoje, o que prejudica a liquidez nos mercados mundo afora. Com isso, os negócios devem se arrastar ao longo do dia, com o volume financeiro mais fraco distorcendo o comportamento dos ativos, sem que haja uma sinalização clara de tendência para o dia.

E esse movimento tende a se estender até amanhã, durante a Black Friday, quando as bolsas de Nova York encerram o pregão mais cedo, deixando o giro de negócios ainda bastante baixo. A recuperação dos ativos de risco ontem, devolvendo parte das perdas verificadas no exterior um dia antes, ainda está longe de estabilizar a situação.

A sessão na Ásia seguiu a melhora em Wall Street, mas o desempenho foi fraco, com as bolsas da região oscilando entre altas e baixas, com o volume de negócios já bem reduzido. Na Europa, as principais praças financeiras também caminham para uma sessão esvaziada, monitorando as discussões envolvendo a Itália, que ainda parecem longe de um consenso.

Este tema contribuiu para manter frágil o sentimento dos investidores em relação ao risco e soma-se às preocupações com o impacto da guerra comercial no crescimento econômico global, bem como à pressão de Donald Trump para que o Federal Reserve deixe de aumentar os juros, à medida que o mercado de crédito corporativo nos EUA entra no radar.

Com o Fed reduzindo o seu balanço de pagamentos e o Tesouro norte-americano vendendo bônus soberanos, o investidor acaba saindo dos títulos de dívida corporativa, em um momento de oferta farta de outros papéis com rendimentos mais atraentes, como os Treasuries. Ontem, o yield da T-note  fechou em 3,06%, o que mantém o dólar firme.

No Brasil, a moeda norte-americana encerrou o pregão de ontem perto da marca de R$ 3,80, em meio a relatos de saída de fluxo estrangeiro do país e a ajustes após o feriado na cidade de São Paulo. A questão é que os “gringos” ainda não estão muito animados em alocar recursos no país, à espera de soluções para o grave problema fiscal.

A liquidez global pior, diante da expectativa de que o Fed continue a elevar a taxas de juros nos EUA, e os riscos geopolíticos crescentes, com perspectiva de expansão mais fraca nas duas maiores economias do mundo, tornam urgentes as reformas estruturais e o ajuste das contas públicas nacionais.

Sem elas, a confiança dos investidores em relação ao Brasil pode piorar, e muito. Já a aprovação de uma reforma da Previdência mais ambiciosa, com uma correção profunda dos problemas fiscais, elevaria o sentimento, atraindo investimento externo, mesmo em um cenário de alta de juros nos EUA.

Com isso, o evento político mais importante após a eleição de Jair Bolsonaro é a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, em fevereiro. A definição de quem irá conduzir as pautas do Executivo no Congresso pode servir de termômetro para medir a força do governo na aprovação de uma agenda liberal-reformista, comandada pelo futuro ministro, Paulo Guedes.

O calendário econômico do dia também está mais fraco e traz índices de confiança do empresário industrial brasileiro (11h) e do consumidor da zona do euro (13h), ambos em novembro. Também será divulgada a ata da última decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), às 10h30.

* Olivia Bulla é jornalista e especialista em economia e mercado financeiro. É #5 Top Voices do LinkedIn, com quase 700 artigos publicados e tem um blog A Bula do Mercado.


 

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