Energia x taxa de juros

Para muitos a taxa de juros a ser considerada nos cálculos de custo de energia para entrega futura deveria se situar em cerca de 10% ao ano, seguindo as expectativas “bem comportadas” da estabilidade da economia brasileira.

Deveria!

Mas na prática de quem avalia oportunidades de viabilização de projetos na área de energia no Brasil, as taxas estão mais próximas de 20% ao ano, dada a percepção de riscos do pais, particularmente em relação a quatro aspectos:

  • Regulatórios do setor elétricoHá fragilidades importantes (inadimplencia CCEE, judicialização, atraso do programa de resposta à demanda, tarifas horárias desatreladas da ponta do sistema, preço horário a vigorar depois de 2020, matriz progressivamente mais térmica, etc.)
  • Inflação no BrasilA greve dos caminhoneiros trouxe uma expectativa de aumento da inflação para o ano de 2018 e provavelmente com reflexos para 2019
  • Eleições presidenciaisA seguir as declarações dos principais candidatos, as chances são de mais intervencionismo na economia, como uma boa pitada de populismo.
  • Taxa de câmbioCom a perspectiva predominante de o pais deixar de lado as reformas necessárias para equilibrar o orçamento, a nossa moeda deverá mostrar desvalorização sistemica.

E assim para um investidor que aloca uma taxa de juros de 10% ao ano para um projeto na área de energia em pais “menos arriscado”, deve usar cerca de 20% ao ano para o Brasil de agora!

A diferença no valor da amortização do capital investido,  considerando um horizonte de 20 anos é de 40%. Assim o Brasil está fadado a permenecer na rabeira do mercado em termos de competitividade.

 


 

Brazil: Power Prices x Interest Rates

For many, the interest rate to be considered in calculating power costs for future delivery should be around 10% per annum, following expectations of stability of the Brazilian economy.

But in the practice, evaluating project feasibility opportunities in the power sector in Brazil, rates are closer to 20% per year given the perception of country risks, particularly with respect to four aspects:

  • RegulationsThere are significant weaknesses (Clearinghouse CCEE defaults, judicialization, delayed demand response programs, on-peak official hours that do not match actual peak hours, hourly price to be effective only after 2020, progressively more thermal – and expensive –  power matrix, etc.)
  • Inflation in BrazilThe truckers’ strike brought an expectation of rising inflation for the year 2018 and probably reflecting to 2019 as well
  • Presidential electionsFollowing the declarations of the main candidates, the chances are of more interventionism in the economy, with a flavour of populism.
  • Exchange rateWith the predominant perspective of the country leaving aside the reforms needed to balance the national budget, our currency should show systemic devaluation.

And so, for an investor who allocates an interest rate of 10% a year for a “less risky” country he should use about 20% per year for Brazil these days!

The difference in the amortization of the invested capital, considering a 20-year horizon is 40%. Thus, Brazil is bound to remain well behind the competitive markets.


 

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Rafael Herzberg
Rafael Herzberg é consultor independente para assuntos de energia por mais de 30 anos. Premiado no Brasil e Estados Unidos por cases de eficiência energética, geração on-site e projetos to-the-fence. Palestrante no Brasil e Estados Unidos em eventos de energia. Presta consultoria para clientes consumidores de energia (indústria, comércio e instituições), ofertantes de soluções em energia, concessionárias e comercializadores de energia além de ser convidado para atuar em casos de arbitragem de contratos de energia.
http://pontoon-e.com

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