Energia: Tarifas e preços em questão

As tarifas de energia “na ponta do lápis” resultam de uma média ponderada que considera a matriz energética brasileira, principalmente renovável (hidráulica essencialmente) e térmica.

Um consumidor cativo paga esta tarifa de energia, que em numeros redondos, parte de 70% renovável e 30% termico. Como o térmico envolve combustível, a tarifa é bem superior a aquela apenas renovável.

Um consumidor livre compra energia hidráulica diretamente do comercializador. E assim obtem uma vantagem relevante em relação ao cativo que paga pelo “mix” (hidráulico e térmico).

Quando um consumidor cativo paga sua conta mensal já está incluido o despacho térmico. Portanto não faria sentido que arcasse com as bandeiras, que espelham o custo do despacho das térmicas.

Objetivamente, e em valores aproximados:

  • Investimento em usinas de geração de energia: R$ 3 700/kW instalado
  • Taxa de juros compostos incluindo risco Brasil: 1,5% ao mes
  • Prazo de amortização do investimento: 240 meses
  • Custo do gás natural referido a energia elétrica entregue pela usina: R$ 400/MWh
  • Custo de amortização do investimento em usinas de geração: R$ 115/MWh
  • Mix de 70% renobvável e 30% térmico resulta em custo ponderado de R$ 235/MWh
  • Este custo ponderado é o valor da tarifa A4 concedidada pela ANEEL à ELETROPAULO!

Conclusões:

  • O critério de cobrança e alocação das tarifas (clientes cativos) deveria ser revisto pois cobra a energia térmica duas vezes: uma embutida na tarifa e outra aparte pelas bandeiras
  • Os clientes livres deveriam ter identificado o volume de fato que a usina (renovável) contratada (fornecedor) produziu e se for diferente do volume contratado fechar a diferença no mercado.

Da forma como está há uma falha de alocação de custos/preços de geração e riscos de mix.

 


 

Brazil: Power rates and prices in question

Power rates result from a weighted average that considers the Brazilian power matrix, mainly renewable (essentially hydraulic) and thermal.

A regulated energy user pays this power rate, which, in round numbers is, 70% renewable and 30% thermal. As the thermal involves fuel, the weighted average is well above the only renewable.

A deregulated energy user buys directly from the power trader who sells hydro power. And so there is a relevant advantage over the regulated who pays for the “mix” (hydro and thermal).

Objectively, and in approximate values:

  • Investment in power generation plants: R$ 3,700/installed kW
  • Interest rate including country risk: 1.5% per month
  • Amortization period of the investment: 240 months
  • Cost of natural gas referred to the electricity delivered by the plant: R$ 400/MWh
  • Cost of amortization of the investment in power generation plants: R$ 115/MWh
  • Mix of 70% renewable and 30% thermal results in a weighted cost of R$ 235 / MWh
  • This weighted cost is the value of the A4 rates  granted by ANEEL to ELETROPAULO
    (A major electric distribution company based in the São Paulo city)

Conclusions:

The criterion of collection and allocation of rates should be revised because it charges the thermal energy twice: one built into the regulated rates and another apart by the “flags” (yelow and red)

Deregulated energy users should have identified the volume produced by the renewable power plant vis-a-vis the contracted one. If there is a difference, it  should be be negotiated in the market.


 

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Rafael Herzberg
Rafael Herzberg é consultor independente para assuntos de energia por mais de 30 anos. Premiado no Brasil e Estados Unidos por cases de eficiência energética, geração on-site e projetos to-the-fence. Palestrante no Brasil e Estados Unidos em eventos de energia. Presta consultoria para clientes consumidores de energia (indústria, comércio e instituições), ofertantes de soluções em energia, concessionárias e comercializadores de energia além de ser convidado para atuar em casos de arbitragem de contratos de energia.
http://pontoon-e.com

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