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Enel faz maior oferta e vence disputa pela Eletropaulo

G1.globo.com |

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Enel apresentou nesta quarta-feira (30) a maior proposta para adquirir a Eletropaulo, superando a rival Neoenergia, da espanhola Iberdrola, em um negócio orçado em cerca de R$ 7,6 bilhões pela compra da maior distribuidora de energia do país em faturamento.

De acordo com comunicados divulgados pelas empresas e pela bolsa B3, a Enel ofereceu R$ 45,22 por ação da Eletropaulo, enquanto a Neoenergia se dispôs a pagar R$ 39,53. Antes da disputa, a Enel havia apresentado R$ 32,20 e a Neoenegia, R$ 32,10 por papel.

A proposta, porém, ainda precisará ser aceita pelos acionsitas em leilão que ocorrerá na próxima segunda-feira (4) na bolsa de valores (B3).

Caso leve de fato a Eletropaulo, a Enel ultrapassará a atual primeira colocada no segmento de distribuição de eletricidade no Brasil, a CPFL , da chinesa State Grid, destaca a Reuters.

A briga pela distribuidora, responsável por levar energia a São Paulo e outras 23 cidades da região metropolitana, foi acirrada, com direito a interferência de autoridades na negociação e críticas públicas entre as possíveis compradoras.

O grande interesse na transação se deve à possibilidade de controlar a companhia, que hoje tem capital pulverizado, e a vantagens operacionais por conta do tamanho da companhia, a região abastecida e o perfil do consumidor atendido por ela, segundo especialistas ouvidos pelo G1.

Hoje, a maior parte dos papéis (49,58%) da Eletropaulo está na mão de pequenos investidores e pode circular na bolsa. Seus maiores acionistas individuais são o braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDESPar) e o grupo AES, que detêm 18,73% e 16,84% das ações, respectivamente. A União Federal é dona de outros 7,97%, investidores qualificados têm outros 5,05% e 1,83% estão na tesouraria da empresa.

Desde que as ofertas pela empresa começaram em março, o valor de mercado da companhia aumentou de cerca de R$ 3 bilhões para R$ 5,5 bilhões, segundo dados da Economatica.

A briga

A disputa pela Eletropaulo começou em março, quando a brasileira Energisa fez uma oferta de R$ 19,38 por cada ação da empresa. A investida veio depois de uma proposta da italiana Enel para comprar a participação da americana AES no negócio, de valor desconhecido.

Depois disso, a Neoenergia, do grupo espanhol Iberdrola, também entrou na concorrência e passou a brigar com a Enel pelo negócio lance a lance. Diante dos preços agressivos dados pelas rivais, a Energisa acabou desistindo e retirou sua oferta.

A Neoenergia até chegou fechar um acordo para ficar com novas ações que seriam emitidas pela Eletropaulo, mas a emissão dos papéis foi suspensa diante de proposta mais alta da Enel. Sem se dar por vencida, a espanhola pediu arbitragem no mercado brasileiro para apurar o cancelamento.

No meio do processo, a Neoenergia até chegou fechar um acordo para ficar com novas ações que seriam emitidas pela Eletropaulo, mas a emissão dos papéis foi suspensa diante de proposta mais alta da Enel. Sem se dar por vencida, a espanhola pediu arbitragem no mercado brasileiro para apurar o cancelamento.

O duelo entre as duas empresas chegou até mesmo a autoridades da União Europeia. A Neoenergia alegou que a rival teria vantagem no negócio por ter controle estatal e a Enel se defendeu dizendo que as queixas não tinham substância e visavam atrapalhar uma concorrência justa.

A disputa também gerou críticas públicas entre as companhias. A Enel comprou anúncios em jornais para questionar um acordo anterior assinado entre a empresa e a Neoenergia, enquanto o presidente da Neoenergia, Mario Ruiz-Tagle, ainda disse em entrevista à Reuters que o Brasil precisa ter cuidado para não acabar com seu setor elétrico dominado por “estatais estrangeiras”.

Mas nesta semana, em entrevista à rede televisiva CNBC, o presidente da Enel, Francesco Starace, colocou panos quentes sobre a rivalidade e disse estar surpreso com a “agressividade” envolvida na concorrência.

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