REUTERS | A estatal Eletrobras vendeu em leilão nesta quinta-feira suas distribuidoras de energia no Norte do país, recebendo propostas do grupo Energisa pelas empresas que atuam no Acre e em Rondônia e de um consórcio entre Oliveira Energia e ATEM pela elétrica de Roraima.

Republica / Pixabay

Apesar de ter havido apenas uma oferta por empresa, o certame registrou deságio, devido às regras que exigiam apresentação prévia dos lances em envelopes fechados. Como resultado, as tarifas da Eletroacre cairão em 3,7 por cento após a entrada do novo controlador, enquanto na Ceron, de Rondônia, haverá redução de 1,75 por cento.

O leilão foi considerado amplamente favorável por representantes do governo, uma vez que as distribuidoras são fortemente deficitárias e apresentam alguns dos piores indicadores de qualidade do setor.

A venda das distribuidoras, empresas que têm levado a perdas financeiras pela Eletrobras nos últimos anos, ocorreu por um valor simbólico condicionado a aportes, entre outros fatores, apesar da forte pressão de políticos contrários ao negócio. A operação encontrou compradores mesmo sem a aprovação de um projeto de lei no Congresso que ajudaria na atração de mais investidores para o leilão.

“Essas empresas acumularam prejuízos de mais de 20 bilhões de reais nesses últimos 20 anos… as três somam um passivo de 2,8 bilhões para a Eletrobras, que passará a ser um passivo das empresas adquirentes”, disse o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, em coletiva após o certame.

“O leilão foi o sucesso do sucesso… nosso desafio agora é acompanhar os novos controladores, para garantir a saúde da concessão e a qualidade do serviço”, disse o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone.

A Energisa, maior vencedora da concorrência, já controla nove concessões de distribuição, incluindo no Mato Grosso, divisa com Rondônia, o que deve garantir sinergias na operação da Ceron.

“Pretendemos também buscar o máximo de sinergia da Ceron com o Acre. Nossa ideia era fazer o ‘combo Noroeste’”, afirmou o presidente do grupo, Ricardo Botelho.

Já a Oliveira Energia, que ficou com a Boa Vista Energia, de Roraima, atua com fornecimento via termelétricas no Estado e no Amazonas. Ela terá como sócia na empreitada a ATEM, uma distribuidora de petróleo local.

A Oliveira e a ATEM contaram com assessoria do ex-presidente de Furnas, subsidiária da Eletrobras, Flávio Decat, que também já foi executivo da Cemig e do Grupo Rede.

“Nós estamos em Boa Vista há seis anos, nossa empresa tem 40 anos de vida, 25 no setor de energia. Achamos que é um segmento que dá rentabilidade. Vamos trabalhar muito, contratar pessoas especializadas”, disse a jornalistas o presidente da Oliveira, Orsine Oliveira.


 

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