O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, afirmou em audiência pública na comissão especial da Câmara que analisa a proposta de privatização da Eletrobras que a capitalização da empresa deve atrair fundos de pensão e de investimentos estrangeiros, e não competidores diretos que já estão no Brasil. “O investidor dessa companhia é um investidor de longo prazo, que certamente não tem a pretensão de mandar na empresa, porque não vai ter poder de voto”, disse o executivo, ao ser perguntado quem são os investidores que poderiam se interessar em participar do capital social da empresa com menos de 10%.

“Interessa à State Grid ou a Three Gorges?”, questionou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), relator do projeto, em referência a duas estatais chinesas de energia que têm investimentos no Brasil. “Certamente, o investidor não vai ser nenhum dessas empresas do setor, nenhum dos nossos concorrentes”, respondeu o dirigente. Ele lembrou que o investimento na empresa tem uma rentabilidade menor que o de setores como o de telefonia, por exemplo, mas é uma rentabilidade estável ao longo do tempo e “compatível com investimentos de fundos de pensão, de infraestrutura, de países emergentes”.

Após apresentação de cerca de 30 minutos em que defendeu a privatização da estatal, Ferreira Junior sustentou que no G20, o grupo dos países mais desenvolvidos do mundo, as maiores empresas são todas corporações com capital pulverizado, e que o modelo da estatal State Grid – a maior empresa de energia do mundo – não é o modelo dominante no mundo.

Segundo o executivo, a empresa tem duas opções para obter R$ 12 bilhões: ser capitalizada pelos atuais acionistas, ou emitir ações para aumento de capital pulverizado entre novos investidores na B3 (antiga Bovespa), Nyse ( bolsa de Nova Iorque) e Latibex (bolsa de valores latino-americanos com sede em Madri). Com a aprovação do PL, disse o executivo, a Eletrobras deixará de ser estatal, mas a União continuará a ter participação relevante na companhia e uma golden share com poder de veto sobre decisões estratégicas.

Ferreira Junior repetiu a mesma apresentação feita durante evento no mês passado durante evento no Tribunal de Contas da União, quando comparou o desempenho da estatal ao de empresas estrangeiras que atuam no país, com a franco belga Engie e a italiana Enel. “O processo que estamos submetendo a esta casa é um processo de capitalização da Eletrobras”, afirmou o executivo.


 

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