Nunca custa lembrar que alguns posts são efetuados por seres abduzidos por defensores de alguma seita econômica, propagandeada por pastores em êxtase, sem nenhuma preocupação em disseminar o conhecimento e o debate sério. Fazem apenas o uso de posts e reposts acalorados com togas de preocupação social vulgar, contribuindo para um desserviço ao país.

Alguns honestos, mas pouco “letrados”, o fazem porque julgam contribuir para a transparência do assunto, mas ao final, apenas acabam tornando um debate que deveria ser sério e construtivo, em uma torcida entre “desenvolvimentistas vs ortodoxos”. Como se achassem que os “ortodoxos” não buscassem o crescimento, o bem-estar e o desenvolvimento. Ou que fossem parte de uma organização sociopata que buscasse a destruição em massa das classes menos abastadas. Credo!

Nem o mais gótico e depressivo contestador conseguiria negar que a expectativa de vida do brasileiro felizmente melhorou desde a década de 70. Que bom!!! Nós passamos a viver mais. Graças a Deus. Calma. Você que está quase para se aposentar, não vai precisar trabalhar até completar 80, 90, ou 110 anos, como “gritam” aqueles que ignoram a nossa capacidade intelectual em ler uma frase com sujeito e predicado. Pois é.

A reforma da Previdência busca primeiramente EQUALIZAR as aposentadorias dos servidores públicos com os do setor privado. Nada mais justo, não? Ou você, do setor privado, realmente acha que merece ganhar MENOS ao se aposentar que um servidor público? Sou economista e não terapeuta, mas se você respondeu sim, acho que vale bater um papo com algum profissional que enderece/análise sua óbvia síndrome de inferioridade.

De qualquer maneira, para os centrados e “atentos ” aos alertas da turma que se debruçou “ad nauseam” sobre o assunto, cumpre estressar que o atual texto da reforma da previdência prevê a regra da transição. Exemplo: apesar da nova regra da aposentadoria prever idade mínima de aposentadoria de 65 anos/homem, a cada biênio, a partir do ano 2020, cada trabalhador terá de trabalhar/contribuir 1 ano adicional até atingir a idade mínima. Posto que a regra atual é de 55 anos, quem atingir 55 anos em 2022, se aposentará com 56 anos (55+1) em 2023.

Como a idade mínima passaria a ser de 65 anos, essa regra, que artistas globais, desavisados, emocionados e desprovidos de habilidade de compreensão de textos básicos ou desonestos intelectualmente deveriam saber, só atingiria INTEGRALMENTE aqueles que completarem 55 anos em 2040!!! Veja quadro abaixo.

Regra da Transição

Ou seja, se o contribuinte completar 55 anos em 2040, esse infeliz e saudável contribuinte (que certamente terá uma expectativa de vida maior que 76 anos, atualmente) teria de contribuir por mais 10 anos, até completar 65 anos e curtir seu restinho de 10/15/ 20 anos de aposentadoria. Afinal, esse contribuinte, perante Deus, O Criador, merece! Quem há de negar???? Apesar de ele receber salário durante toda a sua vida profissional, ele merece que seu filho/filha (média de 1,6 filhos/casal), pague por sua aposentadoria até o seu derradeiro suspiro final. Pois assim estava escrito. Não é bem assim no reino da Economia, talvez, do Céu!

Até a PEPPA PIG já sabe (minha filha costumava adorar!), mas não custa repetir para os desavisados.

Para os abduzidos intelectualmente por seres incapazes de concluírem sinapses neutras básicas, isso é causa perdida. Para aqueles que curtem um debate bom e honesto, vale ressaltar que em 2016, para cada 1 milhão de aposentados do setor público o gasto anual da previdência era de R$77 bn e para cada 29 milhões de aposentados do setor privado, o custo para a previdência era de R$150 bn. Após exaustivos cálculos politécnicos, chegamos à conclusão que um servidor público aposentado custava em média R$77,000.00/ano em 2016, ao passo que um trabalhador do setor privado custava R$5,172.00.

Cadê a justiça social aqui?

Não importa, grita o abduzido e sem controle de suas faculdades mentais mais primitivas. Sou contra a reforma da previdência, pois meu Mestre me disse para ser contra! Ok. Até respeito sua obediência pavloviana, ,mas felizmente ou infelizmente, dependendo em que lado da equação você esteja (relaxe!), a reforma busca justamente equalizar os ganhos dos aposentados do setor público com os do setor privado, além de se adequar (regra de transição) à nova expectativa de vida do brasileiro, que está entrando no mercado de trabalho, respeitando aqueles que estão para se aposentar.

Obvio que sempre vai haver aqueles românticos, que desconhecem e/ou nem querer aprender como funciona um sistema econômico que busca a otimização do bem-estar da sociedade com a utilização de escassos recursos. Isso é bobagem! O governo provê tudo. Que bom seria!

O Brasil gasta com previdência 13% do PIB com um índice de dependência (pessoas acima de 65 anos/ população 20-64 anos) de 12.9%. Grécia, Itália, França e Polônia apresentaram as seguintes relações gasto / dependência: 13%/32%, 16% / 37%, 12% / 24%. Ou seja, mesmo com uma população jovem, o Brasil gasta como um país velho e desigual. Veja gráfico abaixo.

O nexo causal é simples, se o novo ocupante do palácio do planalto não endereçar de alguma reforma a dinâmica explosiva da relação Dívida/PIB, nós financiadores da dívida pública demandaremos mais retorno para financiarmos a dívida do governo, com receio de que o devedor a monetize (calote disfarçado) ou a reescalone (calote a la Collor), requisitando maior prêmio de risco (mais retorno, mais juros), juntamente com os investidores internacionais (entenda: nós mesmos!!!) comprando USD para fugir do risco Brasil.

Maior depreciação cambial desencadearia uma maior pressão inflacionária, levando a maiores taxas de juros praticadas pelo Banco Central, com consequências contracionistas para o nosso crescimento/recuperação de curto prazo. Nesse caso, não estamos falando nem do “voo da galinha”, dado que a “Gilselda” nem levantou voo ainda, mas essa decolagem é para outro post.


 

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Roberto Dumas
Mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro. Trabalhou em instituições renomadas (UBS, Citigroup, Lloyds Bank e Itaú BBA). De 2007 a 2011 representou o banco Itaú BBA em Shanghai. Também atuou no banco dos BRICS em Shanghai (New Development Bank) na área de operações estruturadas e risco de crédito. Dumas é Mestre em Economia pela Universidade de Birmingham na Inglaterra. Mestre em Economia Chinesa pela Universidade de Fudan (China). Graduado e pós-graduado em administração e economia de empresas pela FGV e Chartered Financial Analyst conferido pelo CFA Institute (USA). Professor de Economia Internacional e Economia Chinesa do INSPER, IBMEC São Paulo, Fundação Instituto de Administração (FIA-USP) e Saint Paul Business School. Professor Convidado da China Europe International Business School (CEIBS) e Fudan University (China).

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