Os relatórios da distribuição de gás natural no primeiro semestre de 2018 revelaram queda no consumo do combustível no Estado. O total fornecido entre janeiro e junho foi o menor volume dos últimos quatro anos, 169,4 milhões de metros cúbicos, e 12% a menos em relação ao mesmo período anterior.

Os números são da Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul (MSGás), que, em 2015, atingiu 515,5 milhões de metros cúbicos distribuídos no primeiro semestre. O total despencou para 179,1 milhões no ano seguinte e subiu para 192,5 milhões em 2017.

O volume fornecido nos seis primeiros meses deste ano foi impactado pela baixa demanda no segmento térmico. O consumo de gás natural na Usina Termelétrica Luís Carlos Prestes, em Três Lagoas, caiu pela metade no comparativo com 2017 – de 123,4 milhões para 61 milhões de metros cúbicos.

O declínio na geração de energia elétrica pela unidade três-lagoense – única do Estado em operação – justifica a baixa necessidade pelo combustível. Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (Ccee), fornecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foram gerados 223,38 megawatts (MW) médios entre janeiro e maio deste ano. No mesmo período do ano passado, a geração foi pelo menos três vezes maior, com 759,31 MW médios.

A Aneel explica que “o acionamento das térmicas segue programação de despacho do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), conforme ordem de mérito de custo”. A agência afirma ainda que a demanda pela termelétrica de Três Lagoas depende da disponibilidade – de combustível e da planta térmica – e do Custo Variável Unitário (CVU) abaixo do marginal de operação do sistema no período.

A Luís Carlos Prestes faz parte do parque gerador da Petrobras. A estatal reforça que a operação da usina e, consequentemente, sua demanda de gás, está associada aos momentos em que o ONS solicita seu despacho. Segundo a empresa, a necessidade do Sistema Interligado Nacional está relacionada às afluências hidrológicas e aos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas, maiores responsáveis pela geração de energia elétrica do País.

Por sua vez, a alimentação de gás natural à Usina Willian Arjona, em Campo Grande, foi interrompida em março do ano anterior. A Aneel revogou a autorização para explorar a termelétrica em fevereiro deste ano, a pedido da Engie, concessionária que tem a outorga da unidade.

De acordo com o diretor-presidente da MSGás, Rudel Trindade Junior, “o País não teve a necessidade de uma grande utilização das termelétricas para suprir a geração de energia”. Ele acredita que o setor deve recuperar a demanda pelo combustível nos próximos meses, já que o período de seca fez cair o nível dos reservatórios de hidrelétricas.

AUTOMOTIVO

Outro segmento em oscilação negativa é o automotivo, cuja distribuição foi reduzida em 1% no primeiro semestre, quando comparado com igual período de 2017. Foram 1,87 milhão de metros cúbicos fornecidos este ano, contra 1,88 milhão no ano passado.

O mês de janeiro ainda foi responsável pelo pior resultado desde 2015 no setor, quando a média de gás natural distribuído alcançou 9,6 mil metros cúbicos por dia.

A retração no consumo do Gás Natural Veicular (GNV) é gradual. Há quatro anos, o volume distribuído no primeiro semestre foi de 2,3 milhões de metros cúbicos. A quantidade caiu para 2,1 milhões em 2016.

A MSGás se preocupa com o segmento e investe em campanhas publicitárias para incentivar o consumo do GNV entre os motoristas. A companhia alega economia de até 50% em relação aos demais combustíveis e garante sistema de fornecimento imune a interrupções.

De acordo com Trindade Junior, apenas 9 postos oferecem GNV no Estado – 8 em Campo Grande e um em Três Lagoas – e somente uma empresa faz instalação de kit GNV na Capital. “Ainda precisamos melhorar a infraestrutura, ter mais instaladoras. Estamos trabalhando, mas precisamos de mais uns dois anos para ter um mercado mais consolidado”, diz.