No Estado do Paraná o agora ex-deputado estadual, Ratinho Jr. (PSD) participará do pleito eleitoral como candidato a Governador. Por ora lidera as pesquisas eleitorais e tem grandes chances de vir a comandar esse importantíssimo Estado brasileiro.

A população de lá, assim como todo o Brasil clama por soluções para problemas urgentes, mas um deles em especial chama a atenção: o aumento dos custos de energia elétrica.

Lá como cá, os aumentos têm insistentemente vencido a inflação. Nessa toada, o referido candidato decidiu protocolar um requerimento exigindo a suspensão do reajuste de 15% nas tarifas de energia da Copel.

Algo muito parecido ocorreu em um passado recente, quando o ex-governador e agora senador Roberto Requião pelo Paraná decidiu de forma autocrática, não implementar os reajustes autorizados pela Aneel para repor os custos não gerenciáveis da estatal de paranaense (Copel). Como resultado, pudemos observar anos de desequilíbrio econômico-financeiro, destruição de valor e reduzida capacidade de investimentos. Em resumo, quem pagou a conta deste “populismo tupiniquim” foram os próprios consumidores da Copel anos mais tarde, como também os contribuintes.

É razoável supor que parte da população acredite que a ideia do nobre candidato seja uma questão de justiça social, pois cada vez mais troca-se o dinheiro do pãozinho francês de toda manhã pelo pagamento da conta de luz. Entretanto, tal fato trata-se de uma  ideia desastrada e perigosa.

Este não é momento para que a população sofra de amnésia de conveniência. Populismo ocorreu e ainda ocorre no âmbito federal. O melhor exemplo de decisões desta natureza ocorreu à época da nada saudosa presidente Dilma Rousseff (PT), e todos conhecemos os resultados da famosa redução “a fórceps” de 20% nas tarifas. Poucos meses depois a conta voltou salgadíssima e todos pagamos e ainda pagaremos muito caro por isso.

Interessante é observar as consequências disso para a Copel, cujo valor na Bolsa derrete em função da tentativa de interferência na Estatal. Mais uma vez um fator político destrói o valor de uma empresa arrumada e pronta para ser lucrativa.

A estatal paranaense está cotada na Bolsa por cerca de 4 vezes seu lucro projetado para os próximos 12 meses, trata-se de um raro desconto no setor elétrico, e até mesmo na bolsa toda, em média as empresas de energia brasileiras tem cotação entre 9 a 10 vezes esse indicador.

A questão que impera aqui é: Neste ambiente, quem pode acreditar em uma Copel lucrativa.

Para piorar o Governo paranaense já tem um triste histórico de interferências dessa natureza. A história se repete e devemos fica atentos a ela. Em nenhuma ocasião essas “soluções” acabaram bem; ou destruíram valor das empresas, ou prejudicaram a população no longo prazo, em detrimento de soluções no curto prazo e ainda deterioram a qualidade de serviços públicos essenciais.

Não há soluções mágicas, a Copel teve o reajuste aprovado de acordo com as regras da Aneel de forma justa e em linha com todas as demais companhias do setor. Cabe a reflexão; sempre que o Estado interfere todos perdem, principalmente aqueles que em teoria seriam os mais beneficiados pelas medidas populistas.


 

Compartilhe:
Alex Pomílio
Atua em consultoria na área de gestão estratégica, com foco principal em questões ligadas ao setor de energia elétrica, indústrias elétro intensivas e energo intensivas. Avaliação de projetos de investimentos em projetos de geração e comercialização de energia elétrica, “Project Finance”, financiamento e estruturações na área. Atua também em processos de reorganização estratégica de empresas, fusões e aquisições. • MBA em Gestão de Energia Elétrica na FIA-USP (em curso) • Pós-Graduação em Administração de Empresas pela FGV-SP • Pós-Graduação em Economia Industrial pela UNICAMP • Cursos internacionais em Estratégia e Desenvolvimento de Negócios pela Columbia University de Nova Iorque e IMD na Suiça • Engenheiro de Materiais pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) com especialização em Ciência de Polímeros • Atualmente Conselheiro Consultivo da Pisa Indústria de Papéis, Nórdica Energia e BO Paper (antiga Stora Enso Arapoti) e “Business Partner” da Wave Corporation, atuando no desenvolvimento de negócios focado em Energia Elétrica • Foi Diretor Geral da Pisa Indústria de Papéis, Nórdica Energia e BO Paper, tendo passado nesse mesmo grupo pelas posições de Diretor de Vendas, Diretor de Energia e Novos Negócios e Diretor de Relações Externas • Foi Diretor Geral da Magna International do Brasil e anteriormente Diretor de Vendas e Engenharia para América do Sul • Executivo de outras empresas como Delphi Automotive (ainda no Grupo General Motors e Plascar Autopeças)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *