A greve dos caminhoneiros continua a fazer vítimas. Desta vez foi consumo de energia elétrica que recuou drasticamente e levou os “traders” a rever sua expectativa de preço de energia nos contratos mais curtos, ignorando o cenário hidrológico.

A BBCE encerrou o “pregão” de ontem em queda de -3,9% – considerando os contratos acompanhados diariamente pela Pontoon-e -, com destaque negativo para os contratos para entrega de energia em Jun/18 e Jul/18 que recuaram -8,9% (R$321/MWh) e -10,9% (R$285/MWh), respectivamente.

BBCE: Contratos de Energia Elétrica no dia 28/05 (R$/MWh)Fonte: BBCE

O sinal de alerta foi disparado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema) ao longo do final de semana, que indicou uma queda acentuada do consumo, conforme demonstrado no gráfico abaixo:

Fonte: ONS e Pontoon-e

O gráfico acima é revelador. Uma análise rápida do consumo de energia elétrica no SIN (Sistema Interligado Nacional) ao longo dos últimos dois finais de semana (19 e 20/Maio e 26 e 27/Maio) mostra de forma clara a extensão e o impacto da greve dos caminhoneiros no consumo de energia elétrica e consequentemente na economia brasileira. O gráfico mostra a diferença entre o consumo programado pela ONS e o consumo verificado.

No dia 19/05 – sábado pré greve dos caminhoneiros -, o consumo programado pela ONS foi de 59,3 GW médios e o consumo verificado foi de 58,7 GW médios, variação de apenas -1%.Este cenário se repetiu no domingo (20/05), com a diferença entre o consumo programado (52,9 GW médios) e o verificado (51,7 GW médios) ficando dentro de uma margem aceitável (-2,3%).

A mesma análise realizada no último final de semana, trouxe resultados completamente diferentes. No sábado (26/05) a ONS, que havia indicado um consumo programado de 56,2 GW médios, registrou um consumo verificado de apenas 52,5 GW médios, revelando uma diferença de -6,6% (3,7 GW médios). Já no domingo (27/05) a diferença entre o consumo programado (51,5 GW médios) e o verificado (48,0 GW médios) ficou próxima da observada no dia anterior, registrando queda de -6,8% (3,5 GW médios).

Fonte: ONS e Pontoon-e

Com base nestes números podemos inferir que a atual greve está reduzindo o consumo de energia em ~3,5 GW médios (~7%), o que deverá não apenas continuar a impactar os preços de energia no curto prazo, uma vez que as empresas atualmente paralisadas pela greve passarão a comercializar este “excedente” de energia no mercado livre como forma de minimizar as perdas, mas principalmente o crescimento econômico esperado para 2018.

Dada a atual conjuntura de incerteza econômica, política e social estamos caminhando a passos largos para um crescimento próximo de ‘zero” no melhor cenário. 


 

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