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CCR estuda entrar em geração de energia

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De olho em negócios rentáveis de infraestrutura, a CCR estuda entrar em mais uma área: geração de energia. O grupo é hoje um grande consumidor de eletricidade, sobretudo seus ativos de mobilidade urbana. Trinta por cento do custo da linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, da qual a empresa é sócia, é gasto com esse fim. Patamar semelhante tem o Metrô Bahia e, um pouco menor, o aeroporto de Confins.

“É um caminho natural começar a ser produtor independente, buscar um investimento em geração de energia. Estamos estudando”, disse Renato Vale, presidente da CCR. Questionado, o executivo afirmou que há oportunidade “para todo lado” tanto no mercado primário como no secundário.

O plano de investir em energia não se trata exatamente “do passo seguinte”. O grupo estuda continuamente oportunidades em várias áreas de infraestrutura que possam gerar valor aos acionistas e sejam relevantes para a sociedade. “Por enquanto estamos em mobilidade, aeroportos e rodovias. Mas não será necessariamente só isso”, afirmou.

Vale concedeu entrevista ao Valor no mesmo dia em que a companhia arrematou o direito de explorar as linhas 5-Lilás e 17-Ouro do Metrô de São Paulo por 20 anos, ao pagar R$ 533,9 milhões, ágio de 185% sobre o mínimo. A CCR liderou o consórcio formado com o Ruas Invest, que já é sócio da empresa na Linha 4-Amarela.

O grupo Ruas é sócio ainda na Linha 6-Laranja e é o principal operador de linhas de ônibus da capital paulista.

A segunda proposta foi do consórcio encabeçado pela CS Brasil, da JSL, que ofertou R$ 388,5 milhões, ágio de 99,9%. A CS Brasil não tem operação metroferroviária, mas tem experiência com mobilidade urbana em transporte rodoviário. Opera ônibus de passageiro e transporte para empresas. Em nota, informou que continuará analisando oportunidades “em quaisquer áreas de mobilidade urbana.” Só houve duas propostas.

Após ficar de fora dos últimos três leilões de rodovias estaduais, a CCR justificou que a entrada no leilão do Metrô respeitava a disciplina de capital da empresa.

“A única coisa que posso garantir é que a taxa de retorno praticada nessa proposta está totalmente dentro da nossa política de disciplina de capital. Jamais vamos entrar em um processo de licitação para perder dinheiro. Deixamos de ir no Rodoanel porque, dentro das nossas expectativas, as taxas não eram adequadas”, disse Leonardo Vianna, presidente da área de mobilidade urbana da CCR.

Entre os riscos do projeto, o grupo citou o desconhecimento da real demanda de passageiros da Linha 17, uma vez que não há na cidade experiência prévia na operação de monotrilho, à exceção de testes realizados em um trecho da Linha 15-Prata. Diferentemente do metrô, o monotrilho é um modal de sistema fechado – a infraestrutura é feita para receber um modelo determinado de veículo.

Justamente por isso, outra dúvida está ligada ao fornecimento de material rodante, contratado da malaia Scomi, que tem apenas duas experiências com monotrilho na Malásia e na Índia. “Aparentemente [a empresa] não tem muita experiência nesse tipo de equipamento. É uma incógnita. Mas estamos acreditando que os trens serão entregues dentro do prazo pactuado com o governo e que o equipamento terá a performance que se espera”, disse Vianna.

O executivo disse ainda que a CCR tem interesse nas concessões dos metrôs de Bogotá, na Colômbia, e Lima, no Peru. Os países estão desenvolvendo projetos similares aos de São Paulo. “Nossa intenção é também estudar a participação nessas outras regiões.”

Sobre novas oportunidades metroferroviárias em São Paulo, o executivo listou as linhas 8 e 9, para as quais a empresa fez inclusive uma proposta de manifestação de interesse (PMI), fase prévia à elaboração do edital para licitação. E a Linha 13, cujo ramal irá até próximo do aeroporto de Guarulhos. Todas são da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

“Fala-se na Linha 12 [CPTM], na 15 [monotrilho, do Metrô]. São muitas possibilidades de novos negócios em São Paulo”, disse Vianna, destacando que interessa entrar em disputas de ativo prontos para operar, sem necessidade de muitos desembolsos com obra.

A intenção de ampliar o escopo dos investimentos faz com que a CCR cogite mudar o nome das áreas de atuação para abrigar novas adições ao portfólio, mesmo após reorganizar a estrutura em 2017. No ano passado, a empresa conclui reestruturação interna com criação de quatro áreas de negócios (mobilidade urbana, rodovias SP, rodovias BR e aeroportos).

Vale disse que o princípio da empresa é “gente disponível para fazer investimento em gestão de negócio”. E não dividir áreas de forma estanque. Ele afirmou ainda que, se o grupo de fato entrar no segmento de energia, faz muito sentido que o negócio esteja junto do que hoje é a área de mobilidade urbana, cujos ativos são os que mais consomem energia.

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