Cenário hidrológico menos otimista dos últimos meses tem influência direta na elevação do preço 

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE apresentou, nesta segunda-feira (25/2), durante o InfoPLD ao vivo (exibido em www.ccee.org.br/aovivo), análise do comportamento do Preço de Liquidação das Diferenças – PLD ao longo do mês de fevereiro e início de março. A hidrologia ruim, observada no final de 2018 e estendida até fevereiro deste ano, ainda impacta na projeção do PLD médio para 2019, que passou de R$ 260/MWh para R$ 293/MWh no submercado Sudeste/Centro-Oeste.

 “A redução das afluências, que começou ainda no final de 2018, provocada por um bloqueio das frentes frias, persistiu até fevereiro, impactando diretamente na elevação do preço, mesmo no período úmido”, lembra Camila Giglio, da gerência de preços da CCEE. Com o término do bloqueio, as afluências esperadas para o Sistema começam a melhorar com índices previstos para março em 80% no Sudeste, 104% no Sul, 42% no Nordeste e em 76% no Norte.

O impacto da hidrologia também afetou os níveis de armazenamento dos principais reservatórios do Sistema, outro fator de aumento do PLD, principalmente em fevereiro. No Sudeste, os reservatórios registraram queda de 2 p.p. (28,4%) e no Sul, a redução foi de 3.9 p.p. com níveis em 39,5%. Os níveis, por sua vez, subiram 1.6 p.p. no Nordeste (43,8%) e 10,4 p.p. no Norte (41,4%).

Tal conjuntura teve reflexo direto no PLD ao longo de fevereiro, levando o preço médio no Sudeste/Centro-Oeste e no Sul, a cerca de R$ 444/MWh, situação que foi amenizada no final do mês, deixando os preços para a primeira semana de março nos dois submercados em R$ 340/MWh.

O fator de ajuste do MRE esperado para 2019 é de 82,1%, com índice em 147,3% em fevereiro e em 135,3% previsto para março. Quando a projeção do MRE é ligada à repactuação do risco hidrológico, que considera a sazonalização “flat” da garantia física, aponta índices de 95,1% para fevereiro e 92,6% para março.

Já o impacto financeiro da análise do MRE, dentro do cenário hipotético de 100% de contratação da garantia física, chegou a R$ 24 bilhões para o ano, sendo R$ 17 bilhões referentes ao Ambiente de Contratação Regulada – ACR e R$ 7 bilhões ao Ambiente de Contratação Livre – ACL.

Os Encargos de Serviços do Sistema – ESS, por sua vez, devem fechar fevereiro em R$ 236 milhões, sendo R$ 43 milhões por restrição elétrica, R$ 135 milhões por conta da reserva operativa de potência e outros R$ 58 milhões para a segurança energética. Para março, há previsão de encargos em R$ 12 milhões, sendo R$ 11 milhões por conta da restrição elétrica e R$ 1 milhão referente à reserva operativa de potência.

Entenda o PLD

O PLD é o preço de referência do mercado de curto prazo, utilizado para precificar o que foi gerado e o que foi consumido de energia elétrica por todos os participantes do mercado (que operam no âmbito da CCEE).

A CCEE apura mensalmente o total de energia consumido pelos consumidores que compram no Ambiente de Comercialização Livre – ACL e pelos cativos do Ambiente de Contratação Regulado – ACR. Os contratos negociados no mercado livre, fechados entre o comprador e o vendedor (pelos geradores, comercializadores e consumidores livres e especiais) e pagos bilateralmente, também são registrados na CCEE. Por sua vez, no mercado cativo os contratos são fechados em leilões regulados pelo governo, informações também registradas pela CCEE. Caso haja mais consumo ou geração do que os montantes contratuais registrados, essas diferenças são liquidadas mensalmente no mercado spot (à vista ou de curto prazo, como também é conhecido). Todos os devedores (subcontratados) pagam em igual proporção para os credores (sobre contratados).

O valor utilizado para este acerto é o Preço da Liquidação das Diferenças – PLD que é calculado semanalmente pela CCEE e, após Resolução Homologatória da ANEEL de número 2.498, de 18 de dezembro de 2018 – tem valor teto de R$ 513,89/MWh e piso de R$ 42,35/MWh, vigentes a partir da primeira semana operacional de janeiro/2019.

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