Militares querem finalizar Angra 3 e retomar a exploração de urânio em escala industrial

Renata Victal da revista Isto É Dinheiro

A necessidade de investimentos tem sido uma constante nas declarações do novo ministro de Minas e Energia (MME), o Almirante-de-Esquadra Bento Costa Lima Leite Albuquerque Junior. Até 2027, ele afirma, o setor precisará de recursos da ordem de R$ 1,8 trilhão. Quase 80% deste valor será destinado ao segmento de petróleo e gás. O restante será partilhado entre as outras fontes de energia como eólica, solar e nuclear. Esta última recebe atenção especial do novo governo, que espera retomar as obras da usina Angra 3 e pavimentar o caminho para a retomada do programa nuclear brasileiro, implementado durante a ditadura militar. A decisão deve reaquecer toda a cadeia produtiva do urânio para consumo interno e externo, além da indústria de equipamentos e a construção de novas usinas. Albuquerque é um entusiasta da energia nuclear. Ele garante estar preparado para o desafio e rebate o que chama de preconceito e desinformação. Em seu discurso de posse, fez questão de frisar que o País tem o domínio da tecnologia e do ciclo do combustível nuclear, além de possuir a sétima reserva de urânio do mundo. Seriam estas “as duas vantagens competitivas raras que temos no cenário internacional” e que o governo de Jair Bolsonaro pretende não ignorar.

Para usufruir dessas vantagens, o Brasil precisará definir o destino de Angra 3. A obra está paralisada desde setembro de 2015 após investigação pela Operação Lava Jato por suspeitas de irregularidades. A Eletronuclear gasta R$ 130 milhões por ano para a preservação do que já foi executado (62% das instalações). No fim de 2018, ela instalou uma cobertura de lona para a proteção do prédio do reator. Os equipamentos já comprados são mantidos em almoxarifados no próprio sítio da central nuclear de Angra e nas instalações da estatal do setor, em Itaguaí (RJ), sendo submetidos a inspeções periódicas. Eles estão embalados em folhas de alumínio, selados a vácuo e com controle de umidade. Tanques e vasos de pressão são preservados com gás inerte. E os materiais estocados ao tempo estão revestidos com película protetora.

Segundo a Eletronuclear, o valor previsto para o investimento em Angra 3 é de, aproximadamente, R$ 21 bilhões. Desse montante, em torno de R$ 7 bilhões já foram gastos, restando, R$ 14 bilhões em investimentos diretos a serem realizados. A verba está prevista no plano de negócios da Eletrobras para os próximos cinco anos e a expectativa é que parte deste recurso venha do setor privado. Uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética orientou que o Ministério de Minas e Energia incluísse Angra 3 no Programa de Parceria de Investimentos (PPI) do governo federal. O próximo passo é a avaliar o modelo para a escolha do parceiro privado que concluirá o projeto. O cronograma atual da empresa considera o reinício das obras para junho de 2021. Caso isso se concretize, a usina ficará pronta em janeiro de 2026. Franceses, americanos e russos disputam a concessão. E não faltam incentivos para os investidores.

Leia a matéria na integra aqui: https://www.istoedinheiro.com.br/brasil-volta-ao-clube-nuclear/

 

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