O Brasil está bem posicionado para resistir a choques. Essa é a avaliação que o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, apresentou nesse sábado (13), durante as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que ocorreram entre 11 e 14 de outubro, em Bali, na Indonésia.

Em seus apontamentos para a reunião, acessáveis no site do Banco Central (link), Goldfajn avalia que o cenário global continua desafiador, devido a uma redução no apetite de risco para os países emergentes. Os principais riscos continuam associados a duas ocorrências, a normalização das taxas de juros em economias avançadas, como os Estados Unidos, e as incertezas no comércio internacional, com possíveis impactos negativos sobre o crescimento econômico global.

A normalização da política monetária dos EUA, que resulta na elevação da taxa de juros no mercado norte-americano, traz consigo dois desafios para os países emergentes:

– A realocação de carteiras de investidores globais enfraqueceram as moedas e elevaram o prêmio de risco; entre as consequências desse movimento, o dólar se valorizou em relação ao real;

– Mercados financeiros se tornaram mais voláteis, refletindo um deterioração da percepção de risco dos agentes internacionais com relação às economias de países emergentes.

(D) Alejandro Werner, Diretor, Departamento do Hemisfério Ocidental, FMI, e (E) Ilan Goldfajn, Presidente do Banco Central do Brasil, durante o painel “Governor Talks: Brazil: Buffers and the Need for Reforms”; durante o evento da Reunião Anual de 2018 do FMI e do Banco Mundial, 13 de outubro, 2018 em Bali, na Indonesia. ©IMF Photo, CC

Goldfajn reforça que o Brasil tem um balanço de pagamentos robusto, regime cambial flutuante (taxa de câmbio definida no mercado), nível adequado de reservas internacionais (acima de US$ 380 bilhões) e inflação baixa e controlada.

Segundo o presidente do BC, o balanço de pagamento está em posição confortável, porque o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo da economia) cobre mais de quatro vezes o déficit em transações correntes (compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do país com outras nações).

Goldfajn acrescenta que o sistema financeiro brasileiro é resiliente e seus recursos vêm principalmente de fontes domésticas, limitando o impacto dos choques globais.

O presidente do BC também defende a continuidade das reformas no Brasil, especialmente a da Previdência. “Apesar do progresso da agenda de reformas nos últimos dois anos, o passo decisivo que é a reforma do sistema de aposentadorias ainda não foi dado. O cenário financeiro global mais adverso reforça a necessidade de continuação das reformas e ajustes, a fim de garantir a confiança na sustentabilidade fiscal e gerar maior crescimento econômico. Parece haver um consenso crescente de que reformas e ajustes devem continuar”, afirma Goldfajn, em seus apontamentos para a reunião.

Também foi enfatizado que a aprovação e implementação das reformas e ajustes — notadamente aquelas de natureza fiscal (relacionadas às contas públicas) e aquelas direcionadas a aumentos de produtividade — são cruciais para a Economia Brasileira.

Um ponto importante sobre a condução da política monetária pelo Banco Central é o reconhecimento que a evolução das condições econômicas vigentes pode levar a uma elevação das taxas de juros, em linha com último comunicado de decisão do Copom (19/09), e com o mais recente Relatório de Inflação: “a conjuntura econômica ainda prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. Esse estímulo começará a ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora”.

Fonte: Agência Brasil (link), e Banco Central:  Apontamentos para  Reunião FMI/Banco Mundial (link), Comunicado do Copom (link) e Relatório de Inflação de setembro de 2018 (link).

 

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