No dia em que o Banco Central fez o maior volume de intervenção no mercado de câmbio dos últimos meses, despejando US$ 5 bilhões para segurar o dólar em três leilões extraordinários, a moeda dos Estados Unidos não cedeu e fechou a quinta-feira, 14, perto da máxima do dia, em R$ 3,8095, alta de 2,53%. Segundo especialistas, o movimento hoje reflete o fortalecimento do dólar no exterior nesta quinta-feira, que teve forte alta ante divisas de emergentes como Argentina, Turquia e México, mas também embute a inquietação do mercado com a falta de sinalização mais clara do BC sobre o que pretende fazer no câmbio a partir da semana que vem. O real foi a segunda moeda que mais caiu ante o dólar hoje entre os principais mercados emergentes do mundo, atrás apenas da Argentina.

Nesta sexta-feira, 15, termina o prazo para a colocação de US$ 24,5 bilhões em ofertas extras de swap cambial, volume prometido pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, na semana passada, quando a moeda rondou os R$ 4,00. Desse total, US$ 18,7 bilhões já foram colocados até hoje. Ilan disse que o BC não tem preconceito contra nenhum tipo de instrumento, mas não sinalizou até agora qual será o próximo passo de atuação no câmbio. Nesta quinta-feira, foram ofertados 100 mil contratos, superando a oferta do dia 18 de maio de 2017, dia seguinte após a notícia da delação do empresário Joesley Batista, quando foram colocados 80 mil contratos.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, ex-diretor do BC, avalia que a atuação da instituição por meio da oferta de contratos de swap é justificada, pois os dados mostram que não tem havido grande demanda para dólar à vista, o que reduz a necessidade de outros instrumentos de intervenção. Além disso, o fluxo cambial mostra entrada de recursos, o que reduz a pressão no mercado. Com isso, a visão do banco é que o BC atua para evitar uma “dinâmica perversa” ou corrigir “volatilidade excessiva”, mas não para defender um nível de preço para o dólar aqui.


 

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