“Os membros do Copom analisam a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional para a inflação.

As metas? Ué, são várias metas? Bem, toda ata do Copom diz, algumas vezes, que a política monetária busca atingir as metas. Mas não é apenas uma meta? Mesmo que ela de vez em quando muito, para refletir o nível atual da inflação?

CINCO ERROS NA ÚLTIMA ATA DO COPOM.
E SÃO FREQUENTES

Só tenho elogios ao competente presidente do BC, Ilan Goldfajn, e ao bom time de diretores que o acompanha. Mas, como é habitual, a ata da última reunião do Copom repete algumas vezes um ERRO DE PORTUGUÊS, constante nas frases centrais das atas. Ou talvez eu entenda mal nosso regime de metas de inflação…

Vale repetir. A última ata diz cinco vezes que, na sua última reunião, o Copom fixou a Selic atento ao objetivo de levar a inflação rumo ÀS METAS fixadas pelo Conselho Monetário Nacional. Está lá:

1 – “Os membros do Copom analisaram a evolução da economia, no contexto do objetivo da política monetária, que é atingir as metas fixadas pelo CMN para a inflação.”

2 – “Há também perspectiva de retorno das taxas de inflação em outras economias, para patamares mais próximos a suas metas.”

3 – “Convergência da inflação rumo à meta, e permanece a expectativa de que a recuperação da atividade econômica contribua para elevação da inflação subjacente rumo às metas no horizonte relevante…”

4 – “O Copom julgou que a dinâmica das diversas medidas de inflação subjacente sinalizava maior risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas.”

5 – “O Comitê julga que este estímulo adicional mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas.”

Perfeito: o BC está sempre atento às METAS DE INFLAÇÃO? Sempre achei que fosse apenas uma. Sempre me pareceu que, atento a uma medida de inflação, o Copom fixasse a taxa juros do “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”, conhecida como taxa Selic, criada em 1979, e que orienta as operações com títulos públicos entre os bancos.

Depois, o BC criou essas reuniões mais formais. Hoje, são 8 por ano. Se a inflação estiver alta, a Selic pode subir. Sempre de olho na tal meta de inflação.

Em 1998 o BC escreveu: “Formalmente, cabe ao Copom definir a meta de inflação e divulgar o Relatório de Inflação.” Pois é a meta! Com uma margem de tolerância até generosa. Ou seja, o BC não tem METAS DE INFLAÇÃO! Tem uma só, que até pode mudar, dependendo do ritmo da inflação, mas nunca pode ser chamada de metas.

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Ou estarei enganado?

Será que as atas nos revelam um ângulo discreto da atuação do BC, nunca mencionado por seus diretores ou em seus documentos? Será que as atas confidenciam que estão em vigor sempre várias taxas Selic, ligadas a um leque de metas? Um segredinho?

Pode ser ignorância minha. Sei lá, será que o BC fixa taxas Selic diferentes para Estados pobres e ricos? Ou BC e bancos tratam empresas grandes e pequenas com taxas Selic diferentes? Se for assim, como os bancos negociam títulos do Tesouro? Não sei. Você sabe?

Quem sabe a ata do Copom apenas revela um segredo de política monetária?

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Claro que não!

O uso do plural ao falar sobre a meta de inflação deve ser apenas um MEGA ERRO GRAMATICAL.

Tudo indica que a diretoria do BC compreende bem seu papel. O que falta à Casa é linguística. Talvez conviesse a todos que o BC contratasse um professor de português para revisar seus documentos oficiais. Além dos cinco registros de metas múltiplas de inflação das atas, quem sabe há outros erros gramaticais danosos, em outros documentos do BC, e de outros órgãos públicos.

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