A Cemig vai investir R$ 40 milhões em dois projetos de armazenamento de energia elétrica, nos próximos quatro anos. Os recursos fazem parte do programa de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da companhia mineira fiscalizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O objetivo principal da Cemig, com os dois projetos, é desenvolver tecnologia nacional que possibilite a economia de energia no horário de ponta (entre 18h e 21h), a partir do armazenamento de energia.

O primeiro projeto prevê o desenvolvimento de tecnologia de armazenamento de energia combinada a um sistema de geração fotovoltaica distribuída. Na prática, a ideia é construir plantas híbridas utilizando usinas fotovoltaicas em residências com baterias. Essa combinação possibilitará ao usuário armazenar energia gerada pelas placas solares durante o dia para ser utilizada no horário de ponta, no fim do dia, quando o preço da energia é mais elevado.

Segundo Alecio Melo Oliveira, engenheiro de planejamento do sistema elétrico da Cemig e que gerencia o projeto, serão testadas de duas a quatro tecnologias diferentes de baterias e também serão reaproveitadas baterias de centros de processamento de dados. O projeto foi iniciado em outubro e tem prazo de quatro anos. No total, serão investidos R$ 22,5 milhões, sendo R$ 17 milhões da Cemig.

“Futuramente este pode ser um negócio da própria distribuidora”, afirmou o especialista, em referência ao negócio de prestação de serviço de aluguel de armazenamento de energia para consumidores.

No segundo projeto, a Cemig e parceiros estudarão o desenvolvimento, construção e avaliação técnico-econômica de plantas piloto de armazenamento de energia conectadas diretamente à rede de distribuição.

Na prática, a ideia é acoplar baterias aos alimentadores de subestações para armazenar energia ao longo do dia e liberá-la apenas no horário de ponta.Segundo Oliveira, o projeto pode gerar benefício à Cemig e ao setor ao permitir o adiamento da necessidade de novos investimentos em expansão e reforço da rede.

Ele disse que o contrato do segundo projeto deve ser assinado nos próximos meses e terá duração de três anos. Custará R$ 26,9 milhões: Cemig arcará com R$ 23 milhões. O restante de parceiros.

Os parceiros nos projetos são Alsol Energias Renováveis, Universidade Federal de Campina Grande, Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto Federal do Rio Grande do Norte, Instituto de Tecnologia Edson Mororó Moura, Concert Technologies e Fundação para Inovações Tecnológicas (FITec).

Oliveira reconhece que as tecnologias de armazenamento ainda possuem custo elevado, mas destaca que a tendência é que esses valores caiam com o tempo. “Até então não é viável economicamente, mas temos visto que o preço tem caído”, disse. “Há uma tendência de redução por causa do mercado de carros elétricos”.

A Cemig estima que as tecnologias de armazenamento estudadas nos dois projetos possam gerar economia de R$ 18,5 milhões no horário de ponta em 15 anos.


 

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