Canalenergia (Por Maurício Godoi) | O certame realizado na sede da CCEE, em São Paulo, foi marcado pela rápida queda dos preços dos produtos negociados logo em seu início. O maior desconto ficou com a fonte eólica que passou de R$ 255 para R$ 67,60, redução de 73,5%, depois veio a solar que passou de R$ 312 pra R$ 118,07, queda de 62,16%, em terceiro a biomassa de R$ 329 para R$ 198,94, redução de 39,53% e o menor deságio entre os quatro produtos ficou com a fonte hídrica com desconto de 31,92% sobre o preço teto de R$ 291.

A fonte hídrica teve 4 novas usinas com 41,7 MW em capacidade instalada em 19,7 MW médios. A fonte a biomassa adicionou duas novas usinas com 61,8 MW de capacidade e 17,1 MW médios. A fonte eólica teve quatro parques com 114,4 MW de capacidade nova e 33,4 MW médios. A maior vendedora, a solar, viabilizou 29 usinas com 806,66 MW em nova capacidade e 228,5 MW médios. O volume de energia negociado corresponde a um giro financeiro de R$ 6,748 bilhões. A garantia física contratada ficou em 356,19 MW médios.


https://www.canalenergia.com.br/noticias/53056889/leilao-a-4-negocia-2987-mw-medios-ao-preco-medio-de-r-12475

O Leilão A-4 ocorrido hoje (04/Abr) em São Paulo confirmou nossa expectativa de deságio de dois dígitos em todas as fontes leiloadas. O deságio médio do leilão ficou em 59,07% sendo que a eólica apresentou redução de 73,5% (R$ 67,60/MWh), seguido pela solar 62,16% (R$118,70/MWh), biomassa 39,53% (R$198,94/MWh) e hidráulica 31,92% (R$291,00/MWh).

Conforme mencionamos em nossa análise publicada ontem (03/04), três fatores foram decisivos para este forte declínio nos preços:

(i) Fraca demanda por energia nova para 2022: Nossas projeções de demanda de energia para o leilão (~300 MW médios) acabaram se confirmando, com o leilão contratando 298,7 MW médios. Tal cenário está diretamente atrelado a forte queda do PIB em 2015 e 2016, como também à modesta recuperação da economia em 2017 e 2018.

(ii) Forte redução do custo da energia eólica e solar: A melhor forma de demonstrar esta realidade é a análise da redução do investimento da fonte solar. O custo do MW instalado de fonte solar declinou de R$10 milhões/MW em 2014, para cerca de R$3,6 milhões/MW para este leilão. Outro fator que contribui para isto é a maior eficiência destes projetos, que passaram de um “load factor” de ~18% em 2014 para 28,3% neste leilão.

(iii) Melhores condições de financiamento e menor custo de capital: A recente redução das taxas de juros no Brasil culminou em uma sensível redução no custo de capital de terceiros (Kd) – dívida -, como também no custo do capital própio (Ke) das empresas, principalmente quando consideramos projetos de infraestrutura com prazo de concessão bastante alongados.

Como resultado desta combinação de fatores devemos esperar projetos com taxa interna de retorno (TIR) entre 4% e 5% em termos reais, o que começa a indicar uma faixa de risco para os investidores. Entendemos que com este nível de retorno faça mais sentido para os empreendedores com bons projetos solares e eólicos esperar por um momento mais interessante para participar dos leilões.

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