De 2012 a 2017, o número de comercializadoras atuantes no mercado livre de energia dobrou, e hoje já são 233 empresas em operação. Essas empresas têm papel relevante na solidificação do mercado livre. Esse mercado ofereceu preços em média 23% mais baratos dos que os praticados pelas distribuidoras locais.

 E o que as comercializadoras agregam ao mercado de energia elétrica?

Como em qualquer mercado, os interesses de vendedores e compradores divergem. No mercado elétrico, os produtores querem vender por preços maiores e prazos mais longos, enquanto os consumidores buscam menores preços e volumes ajustáveis à sua demanda. Os produtores precisam de receita garantida para financiar obras de capital intensivo. Já os consumidores, que não tem a energia elétrica como seu negócio principal, preferem a garantia de melhores preços e flexibilidade de volume.

Diferente das geradoras, que têm maior capacidade financeira e técnica para gerenciar os riscos de preço e volume, os consumidores livres têm maior restrição para a contratação por prazos muito longos, dada a incerteza quanto à demanda por seus produtos e serviços e o consequente consumo de energia para este período. Além disso, os consumidores não dispõem de instrumentos financeiros para se protegerem da volatilidade dos preços, caso optem por prazos mais curtos. É aí que entram as comercializadoras de energia.

Atuando nesses dois ambientes de contratação, livre e regulado, as comercializadoras adquirem agilidade para ofertar condições mais flexíveis e preços mais competitivos para seus clientes.

No mercado livre, podem vender para grandes consumidores, a produtores e outras comercializadoras; e, comprar desses mesmos agentes, sendo que de grandes consumidores somente através de cessão de contratos. No mercado regulado, as comercializadoras podem ofertar eletricidade nos leilões promovidos pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

As comercializadoras podem comprar sobras de contrato, vender para consumidores subcontratados ou para outros agentes de mercado, reduzindo, significativamente, as perdas financeiras decorrente da volatilidade de preços vis à vis o volume.

Além dessas operações as comercializadoras de energia têm maior capacidade para antecipar movimentos da curva de preços indicando as oportunidades de mercado para os clientes.

Portanto, as comercializadoras têm o importante papel de aumentar a liquidez no mercado e estimular a concorrência, contribuindo para uma melhor formação dos preços.

Além disso, as comercializadoras absorvem riscos de crédito do consumidor e riscos de performance do produtor, o que lhes possibilita oferecer opções de contratos mais adequadas às necessidades de seus clientes.

As comercializadoras surgiram para solucionar antigos problemas da contratação de energia elétrica, provendo mais eficiência nas transações entre vendedores e compradores.


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Ana Amélia de Conti Gomes
Ana Amélia de Conti Gomes é economista, formada na Universidade Federal de Minas Gerais, e mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina. Possui MBA pela Fundação Dom Cabral e post-MBA concedido pelas instituições americanas: University of the North Carolina e Northwestern University Kellog School of Management. Trabalhou por 10 anos na Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG, na área de planejamento econômico-financeiro. Além de finanças, na AES SUL e ENRON/SCGAS liderou a área de tarifas de energia elétrica e gás natural, respectivamente. Mais tarde, na DUKE ENERGY, somou experiências de liderança em várias áreas tais como desenvolvimento de negócios, regulação setorial, comunicação, sustentabilidade e relações governamentais, chegando a liderar a equipe de relações institucionais de toda a América Latina. Atualmente, é sócia e diretora executiva da Comercializa Energia Ltda.
http://www.comercializaenergia.com.br

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