O Ibope publicou na noite desta terça-feira (11/09) nova pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais de 07 outubro, a primeira após o atentado sofrido pelo candidato líder nas pesquisas Jair Bolsonaro (PSL). O levantamento ocorreu entre os dias 08 e 10/09, enquanto que o levantamento Datafolha publicado ontem foi realizado somente no dia 10/09.

Assim como no caso da Datafolha esta pesquisa também não incluiu o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve barrada sua candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na madrugada de 1º de setembro.

Esta nova pesquisa reforça alguns pontos levantados na pesquisa Datafolha, mas também traz alguns dados novos para análise.

A grande “surpresa” da pesquisa Ibope publica ontem foi o fortalecimento da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) em todas as simulações de 2º turno, assim como a queda observada em sua taxa de rejeição. De certa forma, os resultados desta pesquisa estão mais alinhados com os acontecimentos do último dia 06/09, onde grande parte dos especialistas esperavam um crescimento quantitativo e qualitativo do candidato Bolsonaro nas pesquisas..

Abaixo apresentamos alguns “highlights” desta última pesquisa Ibope.

Brasília – Conselho de Ética rejeita processo contra o deputado Jair Bolsonaro, por elogiar Brilhante Ustra (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Jair Bolsonaro (PSL) | Bolsonaro consolida liderança, mas nada de vitória no 1º turno. O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, segue com folga na liderança com 26% (4 p.p. acima da última pesquisa), enquanto outros quatro presidenciáveis disputam palmo a palmo o segundo lugar, ou seja, o direito de disputar o 2º turno. A expectativa alimentada nos últimos dias por boa parte da imprensa, era de que o atentado poderia ter um impacto extremamente positivo na candidatura de Bolsonaro, elevando a possibilidade de vitória já no 1º turno.

A pesquisa de ontem também não sinaliza isso, mas revela crescimento e melhora da percepção do eleitorado em relação ao candidato do PSL, conforme sinaliza as simulações de segundo turno. Isto também fica claro quando analisamos o expressivo crescimento de Bolsonaro na pesquisa espontânea de intenção de voto, onde ele subiu de 17% para 23%. Aparentemente o candidato do PSL tem capturado grande parte dos votos brancos/nulos.

Ciro Gomes (PDT) | Única novidade positiva desta pesquisa foi a queda na taxa de rejeição. Diferentemente do que apontou o Datafolha, a pesquisa Ibope mostrou Ciro Gomes caindo de 12% para 11%, mas ainda mantendo a 2ª posição devido a queda de Marina Silva (REDE). Na pesquisa espontânea Ciro Gomes aparece em segundo lugar com 5%. O mercado financeiro – que voltou a “precificar” o risco Ciro no dia de ontem -, pode vir a repensar sua estratégia após a pesquisa Ibope.

Marina Silva (REDE) | Também surge como a grande perdedora na pesquisa Ibope. Marina Silva recuou despencou 3 p.p., passando de 12% para 9% das intenções de voto. Embora ainda permaneça empatada tecnicamente com Ciro Gomes e Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa pela vice-liderança, também aparece nesta pesquisa como a grande “perdedora”. Tal entendimento deve-se não apenas ao fato da sua incapacidade de capturar parte do eleitorado de Lula, que nesta pesquisa indica uma migração para Haddad (PT), mas principalmente pelo fato da sua pequena participação na pesquisa espontânea de intenção de voto (3%), o que deixa pouco espaço para reversão deste quadro.

Geraldo Alckmin (PSDB) | Ibope também confirma ineficácia da campanha do PSDB na TV. Apesar de contar com cerca de 44% de todo o horário gratuito de rádio e TV, a candidatura de Geraldo Alckmin não saiu do lugar, mantendo os mesmos 9% da última pesquisa. Na pesquisa espontânea Alckmin aparece com 4%, logo acima de Marina (3%), mas abaixo de Ciro Gomes (5%). Os otimistas dirão que ele está tecnicamente empatado com Ciro Gomes e Marina Silva, o que é verdade, contudo considerando sua enorme exposição no horário gratuito, os resultados obtidos até o momento são insignificantes. Será que tempo na TV bastará desta vez?

Fernando Haddad (PT) | Próxima pesquisa deverá trazer mais sinais se haverá ou não transferência de votos.  Surgindo pela primeira vez como o candidato do PT, Fernando Haddad, passou de 6% para 8%, o que o deixa em empate técnico com os demais candidatos. Na pesquisa espontânea Haddad aparece com os mesmos 4% de Alckmin (PSDB). As apostas dos especialistas neste momento apontam para o crescimento de sua candidatura, com a confirmação do seu nome como o candidato do PT a presidente no lugar de Lula.

REJEIÇÃO | Dentre os quatro candidatos que estão empatados na segunda posição, Ciro Gomes aparece com a menor taxa de rejeição. Diferentemente da pesquisa Datafolha, que estranhamente apontou aumento no índice de rejeição de Bolsonaro, mesmo após o atentado a faca sofrido na última quinta-feira, o Ibope mostra queda no índice de rejeição (de 44% para 41%), embora este ainda permanece em patamar muito elevado.

Em comparação com a última pesquisa Ibope, todos os candidatos, apresentaram um índice menor de rejeição, com a exceção de Haddad. O candidato do PT se manteve estável, com 23%. Marina é rejeitada por 24% do eleitorado (26% na sondagem anterior); enquanto Alckmin tem 19% de rejeição (22%) e Ciro é rejeitado por 17% (20%).

SEGUNDO TURNO | Chance de vitória de Bolsonaro cresce após atentado. Talvez esta seja a grande surpresa desta pesquisa Ibope. As quatro simulações de 2º turno realizados pela pesquisa trouxeram empate técnico como resultado. Ciro Gomes venceria Bolsonaro (40% a 37%), assim como Alckmin, mas com margem menor (38% a 37%). Na disputa entre Marina Silva e o deputado do PSL, deu empate (38%). Já contra Haddad (PT), Bolsonaro venceria por 40% a 36%.

Vale lembrar que na pesquisa da semana passada os números eram muito menos favoráveis ao candidato do PSL.

Na pesquisa anterior, Bolsonaro perdia para Ciro (44% a 33%), Marina (43% a 33%) e Alckmin (41% a 32%) e tinha empate técnico, com uma vantagem numérica menor, contra Haddad (37% a 36%).

Tal desempenho sugere que o atentado sofrido contribuiu não apenas para solidificar sua posição de liderança no 1º turno, mas também para reduzir o “gap” nas simulações de 2º turno. Os números apresentados estão dentro da margem de erro de ~2 p.p..

O Ibope fez o levantamento ao longo de três dias, entre 8 e 10 de setembro, no fim de semana seguinte ao ataque a faca contra Bolsonaro, com 2.002 entrevistados. A pesquisa Ibope desta terça foi contratada pelo próprio instituto e registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-05221/2018.


 

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